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Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

02.12.08

Presidente mulato

A obamamania é livre e está espalhada pelo mundo afora. Amigos ou inimigos, não importa. A formidável vitória do candidato democrata à Presidência dos EE.UU. mexeu com a imaginação de todos. E não foi apenas pelo fato de ser negro. Melhor dizendo, mulato, o que para os americanos é uma ofensa.
A eleição desse moço esguio e elegante, de fala austera e grave, acende a esperança não só do povo americano, mas também de todo mundo, para que ele possa apagar o incêndio que a incompetência e a ignorância de seu antecessor ateou. Não é, portanto, mera curiosidade.
Será o Barak Obama uma grande novidade? Para nós não.
Como não?
A nossa Academia Brasileira de Letras foi fundada e teve como seu primeiro presidente um mulato, que é o paradigma da literatura brasileira: Machado de Assis, que neste ano completa cem anos de seu passamento.
Mas não pensem que apenas ele foi destaque por aqui. O presidente Nilo Peçanha, que governou o Brasil entre 1909 e 1910, em substituição ao titular que falecera, era mulato.
Filho de pai negro e mãe loira, de olhos claros, Nilo nasceu em 1867, em Campos, estado do Rio de Janeiro.
Foi um inexpressivo deputado constituinte em 1891 e renhido oposicionista a Prudente de Moraes. Acusado injustamente de participar do atentado à vida do presidente, refugiou-se por meses e ao voltar ao convívio público, em 1898, voltou à Câmara dos Deputados.
Como governador do Rio de Janeiro, em 1903, demitiu 400 servidores, eliminou repartições e rescindiu contratos da administração anterior. Cortou em 25% do próprio salário. Depois de onze anos de déficits no Estado, 1904 terminou em superávit de 1.500 contos de réis.
Governou por apenas um ano e cinco meses com o slogan “Paz e Amor”, com o intuito de evitar interferências em questões estaduais, muito comuns à aquela época.
Outras importantes e notáveis personalidades brasileiras eram negras. No momento atual não se pode deixar de se mencionar o brilhante Ministro do Supremo, Joaquim Barbosa.
Esquecê-los é uma maneira de sermos preconceituosos.

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