meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.
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Terra Blog

18.09.08

Isto também passará

Quantas vezes nos assombramos com inusitados acontecimentos. Por vezes pequenos, outros preocupam e outros tantos apavoram.
Tropeços, às vezes, nos impulsionam para frente e até nos ajudam, mas há também aqueles que nos arrebentam os dedos.
Sustos nos fazem observar melhor nossas condições, sejam elas de trabalho ou do dia-a-dia. Se formos atentos aprenderemos, se formos desligados repetiremos os erros.
Em nossas vidas muitos são os sufocos pelos quais passamos. Ora é uma bobagem na juventude, em que colocamos outras pessoas em situações complicadas, ou nós mesmos nos complicando com as peraltices comuns na vida de cada um. Enfim, não somos isentos de problemas.
Nos chamados “anos de chumbo” muitos foram os momentos vividos em absoluto sufoco. Fazíamos reuniões para discutir os assuntos em voga, ou seja, o socialismo e/ou marxismo, as lutas de classes e outros que tais, e isso nos mais variados locais, variando sempre para despistar os “home”. Ora era em um dos clubes de regatas da Ponta da Praia, ou no Centro dos Estudantes, no Humanitária ou Círculo Operário do Embaré. Várias foram as vezes em que nos despencamos pelas janelas em absoluta carreira. Nossa angústia aumentava quando víamos que nossos perseguidores eram os meganhas da famigerada Polícia Marítima, tida então como a mais agressiva, a mais violenta. Amigos tiveram sufocos maiores e derradeiros.
Entro neste assunto para falar do imenso susto pelo qual passei.
Ora, vocês sabem que dependo de meu velho e competente computador de corda para a realização de meus trabalhos. E se ele me falta? Aí volto aos tempos das cavernas, ou seja, ou escrevo manualmente ou tenho que tirar as teias de aranha de minha velha Remington portátil. Que é velha, mas funciona. É só dar-lhe uns toques.
Manuseava eu meus textos, dia destes, quando me vi subitamente desconectado e sem o equipamento que me serve. Segundo alguns, a falta de atualização do antivírus teria sido a causa dos problemas que ora enfrento. Até aí tudo bem. Mas o que fazer para resolver o problema?
Levei meu CPU ao técnico que me informou que para alguém a notícia que tinha a dar era boa. Perguntei: Boa para mim ou para o vendedor? – Acho que para o vendedor, disse-me ele. E também até aí achei que estava tudo bem, pois na realidade a minha maior preocupação eram os muitos textos contidos na memória da máquina. Trabalho de mais de cinco anos. Será uma dura perda se tudo se perder. Mas a esperança de tudo se resolver a contento me alegrava.
Socorri-me, nas últimas semanas, de textos contidos no disquete exclusivo do jornal, mas agora eles terminaram e continuo precisando resolver meu problema para sair deste sufoco, que confesso, é para mim o mais angustiante até hoje. Pelo menos é por que é o que vivencio, pois o que já passou deixa de ter o sabor que tinha.
Fiquei na expectativa de conseguir salvar meu equipamento e, principalmente, meus textos. Procurei, entretanto, manter a calma – que como nos dizem os ensinamentos – é o teto da alma.
De repente, não mais que de repente, no final de semana chegam de Santos meus sobrinhos, os mesmos que me haviam proporcionado o computador que ora me sufoca. A visita, que sempre nos alegra e felicita, me causaram mais uma vez uma surpresa impressionante.
Como todo sábado fui ao centro da cidade para bater um papo com amigos e, assim que voltei encontro todos à minha espera e, já instalado, um equipamento absolutamente novo. Presente dos sobrinhos.
Lembrei-me de ter lido alhures um conto de Rajneesh que nos mostra que “isto também passará”. E, de fato, passou. Uma nova máquina está em meu poder e a “caixa preta“ da antiga está sendo decodificada. Tudo acabou bem, graças aos meus Anjos da Guarda.
Posso, assim, continuar com meus textos com tranqüilidade. Que Deus os abençoe.
Voltando a um personagem citado, Rajneesh, ele nos ensina:

“Isto também passará – aflição diante do perigo”

Um grande rei, que empregava muitos sábios, um dia sentiu-se muito frustrado com suas riquezas.
Um país vizinho, mais poderoso que o seu, estava se preparando para atacar. E o rei estava com medo – da derrota, do desespero, da velhice e da morte.
Então chamou seus sábios e disse: “Não sei o motivo, mas preciso encontrar um certo anel. . . o anel que me fará feliz quando eu estiver infeliz, e ao mesmo tempo se estiver feliz e olhar para ele, tornar-me-ei triste”.
Na verdade, o que o rei estava pedindo, era um poder com o qual pudesse abrir duas portas. Ou seja, estava pedindo certo domínio sobre seus estados de ânimo e não queria ser sua vítima.
Os sábios se consultaram, mas não puderam chegar a uma conclusão. Finalmente foram se encontrar com um outro, mais experiente e mais vivido e pediram o seu conselho.
O velho sábio, então, tirou um anel de seu dedo e lhes entregou, dizendo:
-“Há uma condição: dêem esse anel ao rei, mas lhe digam para só olhar sob a pedra quando estiver totalmente perdido, numa confusão total, com uma agonia completa, num desamparo absoluto. De outra forma a mensagem será perdida”.
Assim foi feito.
Um tempo depois o reino entrou em guerra e o rei, vendo-se quase derrotado, fugiu para salvar a vida.
O inimigo o perseguiu, matou seu cavalo, e ele não teve outra alternativa correr a pé. Correu, correu muito. . . até que chegou a um beco sem saída: havia apenas um abismo.
Nesse último instante lembrou-se do anel. Abriu-o, olhou debaixo da pedra, e lá estava a mensagem que dizia:
-“Isto também passará”.

Lembre-se: quando você estiver infeliz, não esqueça: isso também passará. Essa chave lhe permite tornar-se Mestre de seus estados de ânimo, em vez de vítima.







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