meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.
<  Abril 2009  >
S T Q Q S S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30      
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

18.06.08

As crianças



Não há como evitar que o ser humano use, numa ou noutra fase da vida, alguém como modelo. Na realidade este é o princípio de modelagem do caráter do indivíduo. Em seus primeiros anos de vida absorvem, com mais atenção do que se supõe, os exemplos de vida vindos dos pais, imitando-lhes os jeitos, trejeitos, conceitos e toda gama de atitudes. Os pais são, sem a menor sombra de dúvida, os principais referenciais de vida e comportamento.
Quando a uma criança falta o mínimo de exemplificação, fica ela sem as referências citadas. Se os exemplos que recebem vêm de um lar desestruturado, com brigas, agressões, fome e tudo o mais (ou de menos?), quando é atingido por situações que a envolvem, como a prostituição, o alcoolismo ou drogas, o que dá no mesmo, encontram elas, na rua, a sua solução de sobrevida. Vagam sem rumo, dormem ao relento, esmolam e, porque não, roubam, pois precisam comer.
Com o passar do tempo, crescendo, o relacionamento social se amplia e a criança passa a ter outras influências que lhes vão moldando, de forma complementar, o caráter e o modo de ser. É quando têm os pais que observar com mil olhos tudo aquilo que se passa com os filhos. A crise de modelos orientadores e forjadores e que se acham à frente de todos, como a mediocridade dos programas de nossas emissoras de televisão, apresentando-nos o sexo fácil, a violência gratuita e valores morais dúbios., as revistas de baixa qualidade, mas de muito luxo, a banalidade do crime e a insensibilidade generalizada, que não se contentam com os textos explicativos da violência que noticiam, mas, sobretudo, com as fotos deprimentes que expõem, é que dificultam o correto educar de nossas crianças.
Ao se ver jogada na rua, ou nela espontaneamente, com fome, se não roubar, até no lixo irá buscar o que comer, ou irá morrer faminta. A sua fome, constante, a faz tomar as mais diversas atitudes. Ao pedir se vê humilhada, ao insistir se vê escorraçada e ao roubar se vê em palpos de aranha, pois, acusada, recolhida e isolada, e nestas condições, ser usada e vilipendiada, agredida em sua dignidade, explorada sexualmente e aprimorada em suas más qualidades, vai ser alvo de estudos sociais em que irão procurar encontrar motivos para a situação deste ou daquele, agora, “delinqüente”. Se, ao invés dessa atitude final o tivessem socorrido à primeira solicitação, esta situação não existiria, pelo menos nessa intensidade.
A escola é um dos lugares em que a criança deve passar o maior tempo possível. Já tive oportunidade de expor minha opinião, e nela, coloco o tempo integral como uma solução. É ela, a escola, que irá complementar a forja do cidadão, com o ensinamento formal, de qualidade, que irá influenciar no crescimento social, educativo e moral dos jovens. A boa escola tem que ter um modelo eficiente de trabalho e apresentar um aprendizado correto e moderno. Tecnologia, sistema de ensino e opções que agradem a pais e filhos, pois são os pais, a sociedade e a escola que lapidam o cidadão de amanhã, exaltando-lhes virtudes e com nobreza de caráter que os faz priorizar as pessoas em vez das coisas.
Sem o aconchego de um colo ou do calor de um lar, vagando pelas ruas, parques e jardins, ao léu, ao lado de tudo que lhe é pernicioso e perigoso, se vêm empurrados para pequenos labores públicos e, aliciados, alucinados pela cola, que aliviam suas dores e sua fome e, agora viciados, encontram uma sociedade, hipócrita, a se preocupar com seus destinos. Ou será com sua comodidade incomodada?
Ao lado dos exemplos que servirão para a formação cultural, moral, há também que se apresentar à criança um modelo religioso, e o melhor modelo, sem dúvida, é Jesus. O ensino religioso, não importa o credo, vai torná-los mais humanos, menos materialistas, mais amáveis, mais sociáveis, mais admiradores da verdade e firmes para dizer “NÃO” àquilo que rebaixe o seu caráter e denigra a sua moral.
Os meninos de rua têm isso?
No futuro, quando tanto umas como as outras se enfrentarem na sociedade, haverá a inevitável comparação, uns bons cidadãos, outros, pessoas de segunda classe. Aos primeiros não faltaram os pilares da formação, pois, tiveram um lar, exemplos e boa escola, o que, aliás, não os faz livres de degeneração. Aos segundos, a quem tudo faltou, restarão as favelas, os serviços subalternos, a baixa remuneração, mas, quiçá da mercê de Deus, não lhes faltará a dignidade.
Estas observações servem, pelo menos, para que possamos compreender a violência que nos cerca. Daria mesmo para entender? Se na periferia reina a baderna, a violência e os vícios, costuma-se afirmar que a falta de estrutura social e familiar leva a esse estado de coisas, entretanto, o que vemos é a chamada elite social chafurdando na lama do vício, onde cheirar é status, jovens a se debaterem de forma horrível pelo chão de hospitais e delegacias, quadro infelizmente, mais comum do que se possa imaginar.
É muito comum, principalmente em tempo de festas, as diversas campanhas de arrecadação de alimentos, brinquedos, roupas etc. No fim de ano é o “Natal sem fome” e no inverno são as campanhas do agasalho. Ora, fome se tem todos os dias e o frio que predomina não é o frio físico, mas o frio da insensibilidade e o da indiferença. É justo, muito justo que tenhamos, no seio familiar, dias festivos e jubilosos, ora o aniversário de um filho, ora uma promoção profissional ou a chegada de um parente distante, enfim, motivos para nos alegrar não faltam e ver nossos filhos e netos reunidos, a se divertir, muito nos alegra, mas, não esqueçamos de olhar para aqueles pequenos perdidos em si mesmos. Compadecermo-nos deles e não recriminá-los, pois, já estão punidos com a vida que levam. Não nos esqueçamos, de forma alguma, da assistência aos nossos, mas, também não deixemos de olhar por eles, que à falta de exemplos de amor sofrem e são discriminados. Vamos dar aos nossos filhos os exemplos de amor, dedicação e carinho, pois eles se espelharão em nós e nos seguirão, pois, nada influencia mais uma criança que o exemplo e, aqueles a que nos referimos, é por isso que se encontram onde estão. Sejamos fortes e com coragem para podermos olhar para esses filhos de Deus, nossos irmãos, alijados de confortos, liberdade e de amor. Vamos dar a eles, na medida de nossas possibilidades, a assistência que lhes façam melhores, desanuviando seus corações e mentes, sentirem-se queridos e possam caminhar, um dia, felizes. De cabeça erguida pela vida. Ora, isto pode até parecer uma utopia, mas não é.

Nenhum comentário
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.