meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.
<  Abril 2009  >
S T Q Q S S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30      
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

29.07.08

A VERDADEIRA BELEZA

O dia fora ardente, com o sol fustigando e maltratando, de tão forte. A noite, embora quente, apresentava uma brisa que fazia com que o calor fosse amenizado. As pessoas procuravam ficar fora de casa, conversando na calçada, caminhando pela orla marítima ou simplesmente ficando fora de ambiente fechado, porque aí não dava para agüentar. O calor chegara para valer e este dia fora uma boa amostra.
As sorveterias e lanchonetes fervilhavam, pois grande era a procura por refrigerantes e sorvetes. Na grande choperia, com suas mais de cem mesas, lotada, as conversações giravam em torno daquele calor insuportável. Na casa repleta estavam, em geral, os jovens que gostam de curtir a night, os casais de namorados e, naquela noite, com a companhia de outras pessoas, eventuais, que estavam fazendo a alegria dos proprietários. Em uma das mesas três amigos, Antonio, José e João, jogavam conversa fora com seus assuntos prediletos, tais quais, o futebol, as garotas e, em menor grau de importância, a política local. Em qualquer desses assuntos eram raciocínios diferentes e isso os fazia mais amigos.
Era grande o borburinho reinante, coisa óbvia, num ambiente como aquele. Confidências eram impossíveis naquele barulho. Só mesmo o trivial. O que importava era passar as horas quentes da maneira mais fresca e agradável possível. Eis que, de repente, fez-se um silêncio absoluto, incompreensível. Mais de quatrocentas pessoas, como que previamente combinado, se calaram. Pela entrada principal aparece, então, o motivo daquela atitude coletiva. Duas jovens adentram o ambiente, como que a procura de algo ou de alguém, dirigem-se ao garçom, pasmo, falam-lhe alguma coisa e se retiram. Uma das jovens, bonita, era simplesmente uma jovem bonita, mas, a outra era de uma postura estupenda, de uma beleza estonteante. Da cabeça aos pés era a figura da mulher perfeita, tal e qual se possa imaginar na grandeza de grandes pintores e escultores. De uma beleza muito superior a Vênus de Millo, mito da beleza feminina mas, não tinha braços. Sorrira e seu sorriso mostrara dentes alvos, alinhados e perfeitos. Não andava, deslizava. Não sorria, luzia. Aquela beleza jamais vista fizera calar a todos, homens e mulheres, jovens e velhos que, maravilhados deixara a todos boquiabertos. Ao sair demonstrou a todos, com o bambolear de seu corpo perfeito, com a luz emanada de seus cabelos dourados e seu perfume, a verdadeira beleza feminina. Como surgira se fora, como num passe de mágica, deixando os atônitos admiradores bobos.
Alguns segundos se passaram após a saída daquela Déia suprema para que as pessoas se dessem conta da volta à realidade. Retorno da barulheira, com todos falando ao mesmo tempo, tornando, novamente, impossível a conversa ao pé do ouvido. E agora o assunto era o mesmo em qualquer mesa que se achegasse. Uns diziam que nunca haviam visto mulher tão atraente, outros tão linda, outros, ainda, se achavam basbaques e achavam que haviam tido uma miragem. A reação coletiva fora, realmente, muito grande. Na mesa dos três amigos o assunto também era o mesmo que das outras mesas, ou seja, aquela monumental figura que a todos encantara. Na volta do torpor, Antonio, foi o primeiro a se manifestar:
-Cara! O que foi isso que passou por aqui?
-Não sei. Acho que sonhei acordado - diz José.
-Não exagerem - afirma João.
-Acorda Geléia - que é como o chamavam - parece que você é o único que ainda não desceu das nuvens. A garota já se foi - alerta Antonio.
-Vocês parecem que nunca viram mulher - diz João.
-Qualé, vais me dizer que já estais acostumado a ver coisas lindas como a que vimos hoje? - explode Antonio.
-Não, não estou acostumado não, só que acho que vocês exageram em suas observações - filosofa João.
-Por que, não achas que a garota que esteve entre nós, simples mortais, não é linda? - quis saber Antonio.
-Não - fala categórico João.
-NÃÃÃOOO? - falam os dois amigos, quase que aos gritos, acompanhado de um coro de mais de duzentas vozes.
-Não - fala calmamente João - ela não abriu a boca, não se manifestou, não se expôs, como posso avaliar sua beleza?
................................................
Temos, realmente, o hábito de fazer julgamentos com o que vemos à primeira vista. Deixamo-nos iludir pela embalagem sem averiguar o verdadeiro valor do conteúdo. Aquela moça, no ver de João, embora concordasse com os elogios à sua beleza, embora merecesse o que dela se falava, não mostrou sua verdadeira beleza, se é que a tinha. Um frasco de cristal, entalhado e de lindos contornos, pode perfeitamente guardar em seu bojo o mais amargo fel ou o pior dos venenos. Aquela bela figura pode ser que tenha uma personalidade difícil e pode, também, não ter caráter nenhum. Talvez seja apenas aparência. Se abrisse a boca, falasse e expusesse pontos de vistas, dos mais variados assuntos, talvez se pudesse avaliá-la melhor. Nos ensinos evangélicos, vemos em Mateus, XV: 1-20, quando Jesus fala aos fariseus sobre as mãos não lavadas:...”não é o que entra pela boca que faz imundo o homem, mas o que sai de sua boca, pois vem o que está cheio o coração.” Assim, o filósofo da mesa, o João, está certo em suas observações. Não devemos nos deixar levar pelas belas aparências, pois, elas podem ser falsas.

Nenhum comentário
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.