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	<title>meus escritos</title>
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	<description>Dar a conhecer &#224; comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.</description>
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		<title>Pela metade</title>
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		<dc:date>07.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
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		<description>Metade de mim &#233; feliz
tricolor &#233; campe&#227;o
a outra metade me diz
Vasco na segunda divis&#227;o.</description>
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		<title>VIDAS CONEXAS</title>
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		<dc:date>07.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
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		<description>Todos n&#243;s estamos o tempo todo no meio de incr&#237;vel bombardeio. N&#227;o falamos de bombardeios irracionais e destrutivos, desses que habitam os c&#233;rebros doentios e esp&#237;ritos mal&#233;volos de presidentes, ditadores e terroristas (&#233; tudo igual), mas, pela luz e muitas outras part&#237;culas de alta energia, os raios c&#243;smicos. Essas part&#237;culas colidem com o ar e criam mais part&#237;culas, e n&#243;s no meio da dan&#231;a c&#243;smica de cria&#231;&#227;o de destrui&#231;&#227;o. O tempo todo. H&#225;, portanto, uma cont&#237;nua muta&#231;&#227;o f&#237;sica, renovadora, tal como nosso organismo. Nosso p&#226;ncreas substitui a maior parte de suas c&#233;lulas a cada 24 horas. Ou seja, acordamos com um p&#226;ncreas novo a cada dia, assim como uma nova mucosa g&#225;strica. Nossa pele descama &#224; raz&#227;o de milhares de c&#233;lulas por minuto e a maior parte do p&#243; de nossas casas &#233; s&#243; pele morta. As c&#233;lulas mortas se v&#227;o e s&#227;o imediatamente substitu&#237;das, em igual n&#250;mero, por outras que formam a nova pele. Assim tamb&#233;m a vida se renova. As c&#233;lulas s&#227;o trocadas, mas o padr&#227;o de nossa organiza&#231;&#227;o permanece o mesmo e esta &#233; uma das caracter&#237;sticas mais importantes da vida: mudan&#231;a estrutural cont&#237;nua com estabilidade dos padr&#245;es do sistema. &#201; a autotranscend&#234;ncia e a auto-organiza&#231;&#227;o, que n&#227;o consiste apenas nos seres vivos se manterem e se renovarem constantemente. Significa que tamb&#233;m tem uma tend&#234;ncia a se transcenderem, a se estenderem e a criarem novas formas. A din&#226;mica evolutiva b&#225;sica da vida n&#227;o &#233; a adapta&#231;&#227;o e sim a criatividade, e esta &#233; o elemento b&#225;sico da evolu&#231;&#227;o. Todo organismo vivo tem potencial para a criatividade, para surpreender a se transcender. A evolu&#231;&#227;o &#233; uma dan&#231;a em progresso, uma conversa em progresso. &#8220;N&#227;o evoluimos no planeta, evoluimos com o planeta&#8221;. Temos que pensar em processos que nos induzam a melhorias que abranjam nossos filhos e netos e de seus filhos e netos. Enquanto continuarmos a ver as coisas pela velha &#243;ptica patriarcal deixaremos de ver o mundo como ele realmente &#233;. N&#243;s precisamos de uma vis&#227;o do mundo e de uma ci&#234;ncia mais abrangente para nos apoiar. A Teoria dos Sistemas, dos Sistemas Vivos, que nos &#233; ensinada por Fritjof Capra, l&#237;der ecologista, austr&#237;aco ambientado nos EE.UU, em seu livro &#8220;O Ponto de Muta&#231;&#227;o&#8221;, de 1982, &#233; fundamento para este trabalho. Capra nos diz, ainda, da interdepend&#234;ncia desses seres vivos. Nos d&#225; o exemplo da &#225;rvore, que n&#227;o sobrevive sozinha. Para tirar &#225;gua do solo ela precisa dos fungos que crescem na raiz. O fungo precisa da raiz e esta do fungo. Se um morrer, o outro tamb&#233;m morre. H&#225; milh&#245;es de rela&#231;&#245;es como esta no mundo, cada uma envolvendo uma interdepend&#234;ncia. O psiquiatra Howard C. Cutler, co-autor da obra &#8220;A Arte da Felicidade &#8211; Um manual para a Vida&#8221;, junto com Sua Santidade o Dalai Lama, e que fazia parte da assist&#234;ncia em uma confer&#234;ncia, diz que sempre se considerou uma pessoa independente, segura de si e que na realidade se orgulhava de possuir essa qualidade e que em segredo tinha a tend&#234;ncia a considerar pessoas excessivamente dependentes com uma esp&#233;cie de desprezo &#8211; um sinal de fraqueza, e afirma: &#8220;Em dado momento, me descobri distra&#237;do, puxando um fio solto da manga da minha camisa. Prestando a aten&#231;&#227;o por um instante, ouvi quando ele (o Dalai) mencionou o grande n&#250;mero de pessoas envolvidas na confec&#231;&#227;o de todos os nossos bens materiais. Enquanto ele falava, comecei a pensar em quantas pessoas estariam envolvidas na feitura de minha camisa. Comecei imaginando o lavrador que plantou o algod&#227;o. Depois, o vendedor que vendeu ao lavrador o trator para arar a terra. Em seguida, por sinal, as centenas ou milhares de pessoas envolvidas na fabrica&#231;&#227;o do trator, entre elas, inclu&#237;das as que extra&#237;ram o min&#233;rio para fabricar o metal de cada pe&#231;a do trator. E todos os projetistas do trator. E ent&#227;o, naturalmente, pensei nas pessoas que processaram o algod&#227;o, que teceram o pano e que cortaram, tingiram e costuraram esse tecido. Os ajudantes de carga e motoristas que fizeram a entrega &#224; loja e o vendedor que me vendeu a camisa. Ocorreu-me que praticamente todos os aspectos da minha vida resultaram de esfor&#231;os dos outros. A preciosa confian&#231;a que eu tinha em mim mesmo era uma total ilus&#227;o, uma fantasia. Fui ent&#227;o dominado por uma profunda no&#231;&#227;o da interdepend&#234;ncia e da interliga&#231;&#227;o de todos os seres.&#8220; A Teoria dos Sistemas reconhece esta teia de rela&#231;&#245;es como a ess&#234;ncia de todas as coisas vivas. A depend&#234;ncia comum a todos n&#243;s &#233; um fato cient&#237;fico, &#233; uma teia de rela&#231;&#245;es: &#233; a pr&#243;pria teia da vida. A Teoria dos Sistemas d&#225; o perfil de uma resposta &#224;quela eterna quest&#227;o: o que &#233; a vida? A ess&#234;ncia da vida &#233; a auto-organiza&#231;&#227;o. Um sistema vivo, embora dependa do ambiente, n&#227;o &#233; determinado por ele. Um sistema vivo se mantem e se transcende sozinho. Existem dois grandes princ&#237;pios em todo ser vivo: o masculino, que &#233; dominador, agressivo, e o feminino, que &#233; nutriente, gentil. Esses dois princ&#237;pios eram, a princ&#237;pio, equilibrados, mas, o homem criou ferramentas e armas f&#237;sicas e intelectuais e desequilibrou tudo completamente. Foram dadas ferramentas mecanicistas e belicistas a pessoas com sede de poder e domina&#231;&#227;o. </description>
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	<item rdf:about="http://tiamuru.blog.terra.com.br/depoimento_de_uma_ex_drogada">
		<title>DEPOIMENTO DE UMA EX-DROGADA</title>
		<link>http://tiamuru.blog.terra.com.br/depoimento_de_uma_ex_drogada</link>
		<dc:date>06.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>Tudo come&#231;ou muito cedo. Eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de 'experimenta, depois quando quiser &#233; s&#243; parar'... e eu fui na dele. Impressionante, marquei a maior bobeira. Primeiro, ele ofereceu coisa leve, que n&#227;o me preocupasse, disse que era 'de raiz', da terra, que n&#227;o fazia mal e me deu um inofensivo disco do Chit&#227;ozinho e Xoror&#243;, seguido de um DVD do Calcinha Preta. Legal. Achei uma coisa muito legal, uma coisa bem brasileira. Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freq&#252;ente. Comecei a chamar todo mundo de truta e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - 'me d&#225; um CD do Zez&#233; de Camargo e Luciano'! Era o princ&#237;pio de tudo. E a coisa desandou. Logo depois resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um cd de Ax&#233;. Dizia que era para relaxar, sabe, coisa leve...Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, Avi&#245;es do Forr&#243;, etc. Com o tempo meu amigo foi me oferecendo coisas piores: O Tchan, Companhia do Pagode, Frank Aguiar e muito mais. Ap&#243;s o uso cont&#237;nuo eu j&#225; n&#227;o queria saber de coisas leves, queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como nunca havia feito antes. Ent&#227;o meu amigo me deu o que eu precisava: um cd do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro de minha exist&#234;ncia, raz&#227;o da minha vida. Pensava s&#243; nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas depois de muito tempo de consumo a droga perde o efeito e voc&#234; come&#231;a a querer cada vez mais, mais, mais...comecei a freq&#252;entar o submundo e correr atr&#225;s das paradas. Foi a partir da&#237; que come&#231;ou minha decad&#234;ncia. Fui ao show do Alexandre Pires, do Bello e do grupo Karametade. At&#233; comprei a revista Caras que trazia o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, j&#225; tinha feito chapinha e pintado o cabelo de louro. Dois piercings adornavam meu nariz e meu corpo parecia uma parede pichada, de tanta tatuagem. Lembro-me de um dia que entrei nas lojas Americanas e pedi a colet&#226;nea &#34;As melhores do Molejo&#34;. Foi terr&#237;vel! Eu j&#225; n&#227;o pensava mais, ia mal na escola e trabalhava s&#243; pensando na sexta-feira. Meu senso cr&#237;tico havia sido dissolvido pelas rimas miser&#225;veis e letras vazias. Meu c&#233;rebro estava travado, n&#227;o pensava mais em nada! Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do po&#231;o, no limiar da condi&#231;&#227;o humana quando comecei a gostar de melancias, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, Motinhas e Tapinhas. Comecei a ter del&#237;rios e a dizer coisas sem sentido. Quando sa&#237;a &#224; noite para as baladas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercada por outros drogados usu&#225;rios das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras...Minha fraqueza era tanta que estive pr&#243;ximo de sucumbir aos radicais e ser dominada pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo. Hoje estou internada em uma cl&#237;nica. Meus verdadeiros amigos fizeram a &#250;nica coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento est&#225; sendo muito duro, com doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, livros e blues. Mas o m&#233;dico falou que talvez tenha que recorrer ao Jazz e at&#233; mesmo Mozart, Beethoven e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a n&#227;o se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes s&#243; pensam em dinheiro, n&#227;o est&#227;o nem a&#237; para sua sa&#250;de e por isso tapam sua vis&#227;o para as coisas boas e te oferecem drogas. Se voc&#234; n&#227;o reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobr&#225;vel, consum&#237;vel, descart&#225;vel, distante e burro. Vai perder as refer&#234;ncias e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabe&#231;a com porcaria, pratique esportes e, na d&#250;vida, se n&#227;o puder distinguir o que &#233; droga ou n&#227;o, fa&#231;a o seguinte: - n&#227;o ligue a TV no domingo &#224; tarde. - n&#227;o assista programa&#231;&#227;o vespertina da TV. - n&#227;o entre em carros com adesivos &#34;Fui&#34;... - nem os com aqueles sons em fim de escala, sen&#227;o ficar&#225;s surdo no futuro... - se te oferecerem um CD verifique se o 'artista' foi ao programa da Hebe ou ao Domingo Legal do Gugu. Mulheres gritando histericamente s&#227;o outro ind&#237;cio. - n&#227;o compre CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; - n&#227;o v&#225; a shows em que os suspeitos executem passos ensaiados; - n&#227;o compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milh&#227;o de c&#243;pias no Brasil, e - n&#227;o escute nada que o autor n&#227;o seja capaz de fazer uma concord&#226;ncia verbal m&#237;nima. Diga n&#227;o &#224;s drogas! A vida &#233; bela! Eu sei que voc&#234; consegue! </description>
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	<item rdf:about="http://tiamuru.blog.terra.com.br/presidente_mulato">
		<title>Presidente mulato</title>
		<link>http://tiamuru.blog.terra.com.br/presidente_mulato</link>
		<dc:date>02.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>A obamamania &#233; livre e est&#225; espalhada pelo mundo afora. Amigos ou inimigos, n&#227;o importa. A formid&#225;vel vit&#243;ria do candidato democrata &#224; Presid&#234;ncia dos EE.UU. mexeu com a imagina&#231;&#227;o de todos. E n&#227;o foi apenas pelo fato de ser negro. Melhor dizendo, mulato, o que para os americanos &#233; uma ofensa. A elei&#231;&#227;o desse mo&#231;o esguio e elegante, de fala austera e grave, acende a esperan&#231;a n&#227;o s&#243; do povo americano, mas tamb&#233;m de todo mundo, para que ele possa apagar o inc&#234;ndio que a incompet&#234;ncia e a ignor&#226;ncia de seu antecessor ateou. N&#227;o &#233;, portanto, mera curiosidade. Ser&#225; o Barak Obama uma grande novidade? Para n&#243;s n&#227;o. Como n&#227;o? A nossa Academia Brasileira de Letras foi fundada e teve como seu primeiro presidente um mulato, que &#233; o paradigma da literatura brasileira: Machado de Assis, que neste ano completa cem anos de seu passamento. Mas n&#227;o pensem que apenas ele foi destaque por aqui. O presidente Nilo Pe&#231;anha, que governou o Brasil entre 1909 e 1910, em substitui&#231;&#227;o ao titular que falecera, era mulato. Filho de pai negro e m&#227;e loira, de olhos claros, Nilo nasceu em 1867, em Campos, estado do Rio de Janeiro. Foi um inexpressivo deputado constituinte em 1891 e renhido oposicionista a Prudente de Moraes. Acusado injustamente de participar do atentado &#224; vida do presidente, refugiou-se por meses e ao voltar ao conv&#237;vio p&#250;blico, em 1898, voltou &#224; C&#226;mara dos Deputados. Como governador do Rio de Janeiro, em 1903, demitiu 400 servidores, eliminou reparti&#231;&#245;es e rescindiu contratos da administra&#231;&#227;o anterior. Cortou em 25% do pr&#243;prio sal&#225;rio. Depois de onze anos de d&#233;ficits no Estado, 1904 terminou em super&#225;vit de 1.500 contos de r&#233;is. Governou por apenas um ano e cinco meses com o slogan &#8220;Paz e Amor&#8221;, com o intuito de evitar interfer&#234;ncias em quest&#245;es estaduais, muito comuns &#224; aquela &#233;poca. Outras importantes e not&#225;veis personalidades brasileiras eram negras. No momento atual n&#227;o se pode deixar de se mencionar o brilhante Ministro do Supremo, Joaquim Barbosa. Esquec&#234;-los &#233; uma maneira de sermos preconceituosos. </description>
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	<item rdf:about="http://tiamuru.blog.terra.com.br/a_tragedia_catarinense">
		<title>A TRAG&#201;DIA CATARINENSE</title>
		<link>http://tiamuru.blog.terra.com.br/a_tragedia_catarinense</link>
		<dc:date>01.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>&#201; estonteante o volume de &#225;gua que desabou sobre o estado catarinense. Muitas vezes maior que qualquer previs&#227;o, pois foram mais de oito vezes o volume que seria normal. &#201; muita &#225;gua, &#233; muita desgra&#231;a. A terra, que necessita da &#225;gua para sua fertilidade, encharcou-se, apresentando rachaduras pelas quais a &#225;gua n&#227;o aparecia, sinal de que estava se entranhando terra adentro. Muitos teimaram em permanecer e morreram ou ficaram ao desabrigo; outros quiseram fugir e conseguiram, mas outros n&#227;o tiveram a mesma sorte. Ficamos todos n&#243;s estarrecidos pela virul&#234;ncia das tormentas. A &#225;gua, maior for&#231;a da natureza, foi impiedosa para com os barrigas-verdes. De todos os cantos desta terra brasilis surgiram suprimentos e agasalhos oriundos dos mais long&#237;nquos rinc&#245;es. A Solidariedade deste povo ordeiro - com rar&#237;ssimas exce&#231;&#245;es, como o homo politicus brasiliensis &#8211; se fez, mais uma vez, sentir. As institui&#231;&#245;es de salvamento, p&#250;blicas, militares, civis e volunt&#225;rias v&#227;o recebendo as remessas de donativos e as armazenam. Mas, espera a&#237;, armazenam? N&#227;o &#233; para distribuir entre os flagelados? </description>
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		<title>VIDAS CONEXAS</title>
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As c&#233;lulas mortas se v&#227;o e s&#227;o imediatamente substitu&#237;das, em igual n&#250;mero, por outras que formam a nova pele. Assim tamb&#233;m a vida se renova. As c&#233;lulas s&#227;o trocadas, mas o padr&#227;o de nossa organiza&#231;&#227;o permanece o mesmo e esta &#233; uma das caracter&#237;sticas mais importantes da vida: mudan&#231;a estrutural cont&#237;nua com estabilidade dos padr&#245;es do sistema. &#201; a autotranscend&#234;ncia e a auto-organiza&#231;&#227;o, que n&#227;o consiste apenas nos seres vivos se manterem e se renovarem constantemente. Significa que tamb&#233;m tem uma tend&#234;ncia a se transcenderem, a se estenderem e a criarem novas formas. A din&#226;mica evolutiva b&#225;sica da vida n&#227;o &#233; a adapta&#231;&#227;o e sim a criatividade, e esta &#233; o elemento b&#225;sico da evolu&#231;&#227;o. Todo organismo vivo tem potencial para a criatividade, para surpreender a se transcender. A evolu&#231;&#227;o &#233; uma dan&#231;a em progresso, uma conversa em progresso. &#8220;N&#227;o evoluimos no planeta, evoluimos com o planeta&#8221;. Temos que pensar em processos que nos induzam a melhorias que abranjam nossos filhos e netos e de seus filhos e netos. Enquanto continuarmos a ver as coisas pela velha &#243;ptica patriarcal deixaremos de ver o mundo como ele realmente &#233;. N&#243;s precisamos de uma vis&#227;o do mundo e de uma ci&#234;ncia mais abrangente para nos apoiar. A Teoria dos Sistemas, dos Sistemas Vivos, que nos &#233; ensinada por Fritjof Capra, l&#237;der ecologista, austr&#237;aco ambientado nos EE.UU, em seu livro &#8220;O Ponto de Muta&#231;&#227;o&#8221;, de 1982, &#233; fundamento para este trabalho. Capra nos diz, ainda, da interdepend&#234;ncia desses seres vivos. Nos d&#225; o exemplo da &#225;rvore, que n&#227;o sobrevive sozinha. Para tirar &#225;gua do solo ela precisa dos fungos que crescem na raiz. O fungo precisa da raiz e esta do fungo. Se um morrer, o outro tamb&#233;m morre. H&#225; milh&#245;es de rela&#231;&#245;es como esta no mundo, cada uma envolvendo uma interdepend&#234;ncia. O psiquiatra Howard C. Cutler, co-autor da obra &#8220;A Arte da Felicidade &#8211; Um manual para a Vida&#8221;, junto com Sua Santidade o Dalai Lama, e que fazia parte da assist&#234;ncia em uma confer&#234;ncia, diz que sempre se considerou uma pessoa independente, segura de si e que na realidade se orgulhava de possuir essa qualidade e que em segredo tinha a tend&#234;ncia a considerar pessoas excessivamente dependentes com uma esp&#233;cie de desprezo &#8211; um sinal de fraqueza, e afirma: &#8220;Em dado momento, me descobri distra&#237;do, puxando um fio solto da manga da minha camisa. Prestando a aten&#231;&#227;o por um instante, ouvi quando ele (o Dalai) mencionou o grande n&#250;mero de pessoas envolvidas na confec&#231;&#227;o de todos os nossos bens materiais. Enquanto ele falava, comecei a pensar em quantas pessoas estariam envolvidas na feitura de minha camisa. Comecei imaginando o lavrador que plantou o algod&#227;o. Depois, o vendedor que vendeu ao lavrador o trator para arar a terra. Em seguida, por sinal, as centenas ou milhares de pessoas envolvidas na fabrica&#231;&#227;o do trator, entre elas, inclu&#237;das as que extra&#237;ram o min&#233;rio para fabricar o metal de cada pe&#231;a do trator. E todos os projetistas do trator. E ent&#227;o, naturalmente, pensei nas pessoas que processaram o algod&#227;o, que teceram o pano e que cortaram, tingiram e costuraram esse tecido. Os ajudantes de carga e motoristas que fizeram a entrega &#224; loja e o vendedor que me vendeu a camisa. Ocorreu-me que praticamente todos os aspectos da minha vida resultaram de esfor&#231;os dos outros. A preciosa confian&#231;a que eu tinha em mim mesmo era uma total ilus&#227;o, uma fantasia. Fui ent&#227;o dominado por uma profunda no&#231;&#227;o da interdepend&#234;ncia e da interliga&#231;&#227;o de todos os seres.&#8220; A Teoria dos Sistemas reconhece esta teia de rela&#231;&#245;es como a ess&#234;ncia de todas as coisas vivas. A depend&#234;ncia comum a todos n&#243;s &#233; um fato cient&#237;fico, &#233; uma teia de rela&#231;&#245;es: &#233; a pr&#243;pria teia da vida. A Teoria dos Sistemas d&#225; o perfil de uma resposta &#224;quela eterna quest&#227;o: o que &#233; a vida? A ess&#234;ncia da vida &#233; a auto-organiza&#231;&#227;o. Um sistema vivo, embora dependa do ambiente, n&#227;o &#233; determinado por ele. Um sistema vivo se mantem e se transcende sozinho. Existem dois grandes princ&#237;pios em todo ser vivo: o masculino, que &#233; dominador, agressivo, e o feminino, que &#233; nutriente, gentil. Esses dois princ&#237;pios eram, a princ&#237;pio, equilibrados, mas, o homem criou ferramentas e armas f&#237;sicas e intelectuais e desequilibrou tudo completamente. Foram dadas ferramentas mecanicistas e belicistas a pessoas com sede de poder e domina&#231;&#227;o. </description>
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	<item rdf:about="http://tiamuru.blog.terra.com.br/depoimento_de_uma_ex_drogada">
		<title>DEPOIMENTO DE UMA EX-DROGADA</title>
		<link>http://tiamuru.blog.terra.com.br/depoimento_de_uma_ex_drogada</link>
		<dc:date>06.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
		<dc:subject>Outros</dc:subject>
		<description>Tudo come&#231;ou muito cedo. Eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de 'experimenta, depois quando quiser &#233; s&#243; parar'... e eu fui na dele. Impressionante, marquei a maior bobeira. Primeiro, ele ofereceu coisa leve, que n&#227;o me preocupasse, disse que era 'de raiz', da terra, que n&#227;o fazia mal e me deu um inofensivo disco do Chit&#227;ozinho e Xoror&#243;, seguido de um DVD do Calcinha Preta. Legal. Achei uma coisa muito legal, uma coisa bem brasileira. Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freq&#252;ente. Comecei a chamar todo mundo de truta e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - 'me d&#225; um CD do Zez&#233; de Camargo e Luciano'! Era o princ&#237;pio de tudo. E a coisa desandou. Logo depois resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um cd de Ax&#233;. Dizia que era para relaxar, sabe, coisa leve...Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, Avi&#245;es do Forr&#243;, etc. Com o tempo meu amigo foi me oferecendo coisas piores: O Tchan, Companhia do Pagode, Frank Aguiar e muito mais. Ap&#243;s o uso cont&#237;nuo eu j&#225; n&#227;o queria saber de coisas leves, queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como nunca havia feito antes. Ent&#227;o meu amigo me deu o que eu precisava: um cd do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro de minha exist&#234;ncia, raz&#227;o da minha vida. Pensava s&#243; nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas depois de muito tempo de consumo a droga perde o efeito e voc&#234; come&#231;a a querer cada vez mais, mais, mais...comecei a freq&#252;entar o submundo e correr atr&#225;s das paradas. Foi a partir da&#237; que come&#231;ou minha decad&#234;ncia. Fui ao show do Alexandre Pires, do Bello e do grupo Karametade. At&#233; comprei a revista Caras que trazia o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, j&#225; tinha feito chapinha e pintado o cabelo de louro. Dois piercings adornavam meu nariz e meu corpo parecia uma parede pichada, de tanta tatuagem. Lembro-me de um dia que entrei nas lojas Americanas e pedi a colet&#226;nea &#34;As melhores do Molejo&#34;. Foi terr&#237;vel! Eu j&#225; n&#227;o pensava mais, ia mal na escola e trabalhava s&#243; pensando na sexta-feira. Meu senso cr&#237;tico havia sido dissolvido pelas rimas miser&#225;veis e letras vazias. Meu c&#233;rebro estava travado, n&#227;o pensava mais em nada! Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do po&#231;o, no limiar da condi&#231;&#227;o humana quando comecei a gostar de melancias, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, Motinhas e Tapinhas. Comecei a ter del&#237;rios e a dizer coisas sem sentido. Quando sa&#237;a &#224; noite para as baladas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercada por outros drogados usu&#225;rios das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras...Minha fraqueza era tanta que estive pr&#243;ximo de sucumbir aos radicais e ser dominada pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo. Hoje estou internada em uma cl&#237;nica. Meus verdadeiros amigos fizeram a &#250;nica coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento est&#225; sendo muito duro, com doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, livros e blues. Mas o m&#233;dico falou que talvez tenha que recorrer ao Jazz e at&#233; mesmo Mozart, Beethoven e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a n&#227;o se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes s&#243; pensam em dinheiro, n&#227;o est&#227;o nem a&#237; para sua sa&#250;de e por isso tapam sua vis&#227;o para as coisas boas e te oferecem drogas. Se voc&#234; n&#227;o reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobr&#225;vel, consum&#237;vel, descart&#225;vel, distante e burro. Vai perder as refer&#234;ncias e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabe&#231;a com porcaria, pratique esportes e, na d&#250;vida, se n&#227;o puder distinguir o que &#233; droga ou n&#227;o, fa&#231;a o seguinte: - n&#227;o ligue a TV no domingo &#224; tarde. - n&#227;o assista programa&#231;&#227;o vespertina da TV. - n&#227;o entre em carros com adesivos &#34;Fui&#34;... - nem os com aqueles sons em fim de escala, sen&#227;o ficar&#225;s surdo no futuro... - se te oferecerem um CD verifique se o 'artista' foi ao programa da Hebe ou ao Domingo Legal do Gugu. Mulheres gritando histericamente s&#227;o outro ind&#237;cio. - n&#227;o compre CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; - n&#227;o v&#225; a shows em que os suspeitos executem passos ensaiados; - n&#227;o compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milh&#227;o de c&#243;pias no Brasil, e - n&#227;o escute nada que o autor n&#227;o seja capaz de fazer uma concord&#226;ncia verbal m&#237;nima. Diga n&#227;o &#224;s drogas! A vida &#233; bela! Eu sei que voc&#234; consegue! </description>
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	<item rdf:about="http://tiamuru.blog.terra.com.br/presidente_mulato">
		<title>Presidente mulato</title>
		<link>http://tiamuru.blog.terra.com.br/presidente_mulato</link>
		<dc:date>02.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
		<dc:subject>Outros</dc:subject>
		<description>A obamamania &#233; livre e est&#225; espalhada pelo mundo afora. Amigos ou inimigos, n&#227;o importa. A formid&#225;vel vit&#243;ria do candidato democrata &#224; Presid&#234;ncia dos EE.UU. mexeu com a imagina&#231;&#227;o de todos. E n&#227;o foi apenas pelo fato de ser negro. Melhor dizendo, mulato, o que para os americanos &#233; uma ofensa. A elei&#231;&#227;o desse mo&#231;o esguio e elegante, de fala austera e grave, acende a esperan&#231;a n&#227;o s&#243; do povo americano, mas tamb&#233;m de todo mundo, para que ele possa apagar o inc&#234;ndio que a incompet&#234;ncia e a ignor&#226;ncia de seu antecessor ateou. N&#227;o &#233;, portanto, mera curiosidade. Ser&#225; o Barak Obama uma grande novidade? Para n&#243;s n&#227;o. Como n&#227;o? A nossa Academia Brasileira de Letras foi fundada e teve como seu primeiro presidente um mulato, que &#233; o paradigma da literatura brasileira: Machado de Assis, que neste ano completa cem anos de seu passamento. Mas n&#227;o pensem que apenas ele foi destaque por aqui. O presidente Nilo Pe&#231;anha, que governou o Brasil entre 1909 e 1910, em substitui&#231;&#227;o ao titular que falecera, era mulato. Filho de pai negro e m&#227;e loira, de olhos claros, Nilo nasceu em 1867, em Campos, estado do Rio de Janeiro. Foi um inexpressivo deputado constituinte em 1891 e renhido oposicionista a Prudente de Moraes. Acusado injustamente de participar do atentado &#224; vida do presidente, refugiou-se por meses e ao voltar ao conv&#237;vio p&#250;blico, em 1898, voltou &#224; C&#226;mara dos Deputados. Como governador do Rio de Janeiro, em 1903, demitiu 400 servidores, eliminou reparti&#231;&#245;es e rescindiu contratos da administra&#231;&#227;o anterior. Cortou em 25% do pr&#243;prio sal&#225;rio. Depois de onze anos de d&#233;ficits no Estado, 1904 terminou em super&#225;vit de 1.500 contos de r&#233;is. Governou por apenas um ano e cinco meses com o slogan &#8220;Paz e Amor&#8221;, com o intuito de evitar interfer&#234;ncias em quest&#245;es estaduais, muito comuns &#224; aquela &#233;poca. Outras importantes e not&#225;veis personalidades brasileiras eram negras. No momento atual n&#227;o se pode deixar de se mencionar o brilhante Ministro do Supremo, Joaquim Barbosa. Esquec&#234;-los &#233; uma maneira de sermos preconceituosos. </description>
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	<item rdf:about="http://tiamuru.blog.terra.com.br/a_tragedia_catarinense">
		<title>A TRAG&#201;DIA CATARINENSE</title>
		<link>http://tiamuru.blog.terra.com.br/a_tragedia_catarinense</link>
		<dc:date>01.12.08</dc:date>
		<dc:creator>TIAMURU</dc:creator>
		<dc:subject>Outros</dc:subject>
		<description>&#201; estonteante o volume de &#225;gua que desabou sobre o estado catarinense. Muitas vezes maior que qualquer previs&#227;o, pois foram mais de oito vezes o volume que seria normal. &#201; muita &#225;gua, &#233; muita desgra&#231;a. A terra, que necessita da &#225;gua para sua fertilidade, encharcou-se, apresentando rachaduras pelas quais a &#225;gua n&#227;o aparecia, sinal de que estava se entranhando terra adentro. Muitos teimaram em permanecer e morreram ou ficaram ao desabrigo; outros quiseram fugir e conseguiram, mas outros n&#227;o tiveram a mesma sorte. Ficamos todos n&#243;s estarrecidos pela virul&#234;ncia das tormentas. A &#225;gua, maior for&#231;a da natureza, foi impiedosa para com os barrigas-verdes. De todos os cantos desta terra brasilis surgiram suprimentos e agasalhos oriundos dos mais long&#237;nquos rinc&#245;es. A Solidariedade deste povo ordeiro - com rar&#237;ssimas exce&#231;&#245;es, como o homo politicus brasiliensis &#8211; se fez, mais uma vez, sentir. As institui&#231;&#245;es de salvamento, p&#250;blicas, militares, civis e volunt&#225;rias v&#227;o recebendo as remessas de donativos e as armazenam. Mas, espera a&#237;, armazenam? N&#227;o &#233; para distribuir entre os flagelados? </description>
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