meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2008

08.09.08

O PODER DAS PALAVRAS

Sempre em um lugar onde passavam muitas pessoas, um mendigo sentava-se na calçada e ao lado colocava uma placa com os dizeres:
“VEJAM COMO SOU FELIZ!” “SOU UM HOMEM PRÓSPERO, SEI QUE SOU BONITO, SOU MUITO IMPORTANTE, TENHO UMA BELA RESIDÊNCIA, VIVO CONFORTAVELMENTE, SOU UM SUCESSO, SOU SAUDÁVEL E BEM HUMORADO.”
Alguns passantes o olhavam intrigados, outros o achavam doido e outros até davam-lhe dinheiro. Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.
Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há tempo, aproximou-se e lhe disse:
-Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa?
-Vamos lá. Só tenho a ganhar – respondeu o mendigo.
Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado para a empresa.
Daí pra frente sua vida foi uma seqüência de sucessos e a certo tempo ele se tornou um dos sócios majoritários.
Numa entrevista coletiva à imprensa, ele esclareceu de como conseguira sair da mendicância para tão alta posição.
Contou ele:
-Bem, houve época em que eu costumava me sentar nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:
“SOU UM NADA NESTE MUNDO! NINGUÉM ME AJUDA! NÃO TENHO ONDE MORAR! SOU UM HOMEM FRACASSADO E MALTRATADO PELA VIDA! NÃO CONSIGO UM MÍSERO EMPREGO QUE ME RENDA ALGUNS TROCADOS! MAL CONSIGO SOBREVIVER”.
As coisas iam de mal a pior quando, certa noite achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia:
“TUDO QUE VOCÊ FALA A SEU RESPEITO VAI SE REFORÇANDO. POR PIOR QUE ESTEJA A SUA VIDA, DIGA QUE TUDO VAI BEM. POR MAIS QUE VOCÊ NÃO GOSTE DE SUA APARÊNCIA, AFIRME-SE BONITO. POR MAIS POBRE QUE SEJA VOCÊ, DIGA A SI MESMO E AOS OUTROS QUE VOCÊ É PRÓSPERO.”
Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa para:
“VEJAM COMO SOU FELIZ!” “SOU UM HOMEM PRÓSPERO, SEI QUE SOU BONITO, SOU MUITO IMPORTANTE, TENHO UMA BELA RESIDÊNCIA, VIVO CONFORTAVELMENTE, SOU UM SUCESSO, SOU SAUDÁVEL E BEM HUMORADO.”
E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida me trouxe a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa realidade. Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais são ínfimos, a tendência é que as coisas fiquem piores ainda, pois o Universo as reforçará. Ele materializa em nossa vida todas as nossas crenças.
Uma repórter ironicamente questionou:
-O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?
Respondeu ele, cheio de bom humor:
“Claro que não, minha ingênua amiga! Primeiro eu tive de acreditar nelas!”
...........
O positivismo que esta lição nos traz modifica nosso destino, e por indução o dos que nos circundam. Vivemos momentos de escolhas, ouviremos palavras absolutamente fora de padrões. Palavras que, muitas vezes, não surtirão efeito algum, visto serem falsas e desprovidas de sinceridade. É quando devemos colocar nosso descortínio à prova.


06.09.08

JÁ FUI BOM NISSO!

Todos nós temos hábitos aos quais somos arraigados. Uns gostam de ir ao futebol ou à praia, outros de passear pelo campo ou ir ao clube curtir um gostoso bate papo à beira de uma piscina. Enfim, fazemos aquilo que gostamos, aquilo a que estamos habituados.
Ocupo toda a minha semana com meu trabalho na Secretaria, no jornal e até mesmo em casa, no meu computador com meus escritos. Nos finais de semana porém, minha diversão é me dirigir ao centro da cidade para conversar com os amigos. Encontro-os todos, geralmente, na Praça Nove, onde então discutimos de tudo e sobre tudo. Ali nos reunimos e cada um tem suas preferências. As coisas mais absurdas que assistimos ou lemos geralmente constituem o mote das conversas. Quando o papo é sobre futebol a coisa pega fogo, pois cada qual tem sua preferência e é quando a coisa fica mais gostosa. É gozação pura. As coisas sérias têm pouco espaço entre aquelas mentes que se descontraem ali, a não ser a noticia de que alguns dos nossos tenham ido para o espaço. Aí bate tristeza.
Para mim e para quase todos é uma hora de descontração e alegria.
Certo sábado quando por ali transitava, dispus-me a fazer algumas compras que minha mulher pedira e também pagar algumas contas.
Já nos aproximávamos do meio dia e me dirigi à loja das Casas Pernambucanas. Rondei primeiramente pelo andar térreo, olhei algumas coisas que no futuro pretendia adquirir. Conversei com amigos que por ali estavam e, por fim, fui para o primeiro andar. Devagar e sempre, pois minhas pernas ultimamente não me dão mais a agilidade que tinha. Os caixas de pagamentos são no primeiro andar e para lá, efetivamente, me dirigi.
A meio caminho na escada, apressada, passa por mim uma garota bonita e de belo corpo, típico da juventude. Examinei-a com olhos curiosos e críticos e imediatamente me veio à mente a frase acima: Já fui bom nisso.
Há um hábito, entre os homens, ter esse tipo de pensamento e de se recordar dos tempos de mais jovem, quando é absolutamente natural ter vigor. Saudosismo puro. Sem vergonhice natural.
Senti-me esquisito e ridículo com aquele pensamento, mas comecei a rir de mim mesmo. Ria e observava que se alguém passasse por mim e me visse a rir como um idiota, me julgasse efetivamente um.
Já no andar superior encontrei a jovem dona do belo corpo e contei-lhe o ocorrido. Rimos juntos, pois ao ter o pensamento que tivera, contei-lhe, me referia ao desempenho que também tinha de subir escadas correndo e de dois em dois degraus.
Era disso que eu ria.

ONDE TUDO COMEÇOU – 6

As versões sobre como se deu a separação entre os evangelhos canônicos e apócrifos, durante o Concílio de Nicéia no ano 325, são também singulares. Uma das versões diz que estando os bispos em oração, os evangelhos inspirados foram depositar-se no altar por si só !!! ... Uma outra versão informa que todos os evangelhos foram colocados por sobre o altar, e os apócrifos caíram no chão...!!! Uma terceira versão afirma que o Espírito Santo entrou no recinto do Concílio em forma de pomba, através de uma vidraça (sem quebrá-la), e foi pousando no ombro direito de cada bispo, cochichando nos ouvidos deles os evangelhos inspirados...
A Bíblia como um todo, aliás, não apresentou sempre a forma como é hoje conhecida. Vários textos, chamados hoje de "apócrifos", figuravam anteriormente na Bíblia, em contraposição aos canônicos reconhecidos pela Igreja.
Muitos dos chamados textos apócrifos já fizeram parte da Bíblia, mas ao longo dos sucessivos concílios acabaram sendo eliminados. Houve os que depois viriam a ser beneficiados por uma reconsideração e tornariam a partilhar a Bíblia. Exemplos : O Livro da Sabedoria, atribuído a Salomão, o Eclesiástico ou Sirac, as Odes de Salomão, o Tobit ou Livro de Tobias, o Livro dos Macabeus e outros mais. A maioria ficou definitivamente fora, como o famoso Livro de Enoch, o Livro da Ascensão de Isaías e os Livros III e IV dos Macabeus.
Quais foram os motivos para excluir esses Livros das Santas Escrituras definitivamente? Será que os "santos padres" daquela época se achavam superiores aos Apóstolos e mártires que vivenciaram de perto os acontecimentos relacionados ao Cristo e ao judaísmo? De que poder esses mesmos "santos padres" se revestiam a ponto de afirmarem que alguns Textos Evangélicos não representavam os ensinamentos e a Palavra de Deus ?
Existem mais de 60 evangelhos apócrifos, como os de Tomé, de Pedro, de Felipe, de Tiago, de Maria, dos Hebreus, dos Nazarenos, dos Doze, dos Setenta, etc. Foi um bispo quem escolheu, no século IV, os 27 textos do atual Novo Testamento. Em relação ao Antigo Testamento, o problema só foi definitivamente resolvido no ano de 1546, durante o Concílio de Trento. Depois de muita controvérsia, acalorados debates e até luta física entre os participantes, o Concílio decretou que os livros 1 e 2 de Esdras e a Oração de Manassés sairiam da Bíblia. Em compensação, alguns textos apócrifos foram incorporados aos livros canônicos, como o livro de Judite (acrescido em Ester), os livros do Dragão e do Cântico dos Três Santos Filhos (acrescidos em Daniel) e o livro de Baruque (contendo a Epístola de Jeremias).
Os católicos não foram unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. No Concílio de Trento houve luta corporal quando este assunto foi tratado.
O papa Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. O cardeal Ximenes, em sua Bíblia poliglota, exatamente antes do Concílio de Trento, exclui os apócrifos e sua obra foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram? Se eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina?
No inicio do cristianismo, os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos para 4, no Concílio de Nicéia. Tal número, indica perfeitamente as várias formas de interpretação local das crenças religiosas da orla mediterrânea, acerca da idéia messiânica lançada pelos sacerdotes judeus. Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a escrever o seguinte: “Há apenas 4 Evangelhos, nem mais um, nem menos um, e que só as pessoas de espírito leviano, os ignorantes e os insolentes é que andam falseando a verdade”. Disse isso, mesmo diante dos acontecimentos acima relatados e que eram de conhecimento geral.
Havia então, os Evangelhos dos Nazarenos, dos Judeus, dos Egípcios, dos Ebionitas, o de Pedro, o de Barnabé, o de Tomé, o de Maria entre outros, 3 dos quais foram queimados, restando apenas os 4 “sorteados” e oficializados no Concílio de Nicéia.
Celso, erudito romano, contemporâneo de Irineu, entre os anos 170 e 180, disse: "Certos fiéis modificaram o primeiro texto dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim subtrai-los às refutações".
Foi necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando retirar as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies, de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesaréía e a de Luciano, de Antioquia. Mesmo assim, só na de Luciano existem 3.500 passagens redigidas diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os padres da Igreja, os Evangelhos não são fontes seguras e originais.
Os Evangelhos que trazem a palavra "segundo", que em grego é "cata", não vieram diretamente dos pretensos evangelistas. A discutível origem dos Evangelhos, explica porque os documentos mais antigos não fazem referência à vida terrena de Jesus.
Não é razoável supor que uma "palavra divina" possa ser alterada assim tão fácil e impunemente por mãos humanas.
Que fique na dependência de ser julgada boa ou má por juízes e dignitários eclesiásticos.
(Bibliografia: Na Luz da Verdade, a Mensagem do Graal, de Abdruschin).


02.09.08

CULTURA INÚTIL. INÚTIL?

Às vezes me ponho a rememorar tempos que foram alegres, felizes. É bem verdade que nem todos os momentos de nossas vidas o são.
O mais interessante nesse meu raciocínio é que sempre que assim ajo retrocedo aos tempos em que vivi no Rio de Janeiro, pois foram, efetivamente, muito bons.
Pouco tempo após nossa chegada à aquela então cidade maravilhosa comprei um automóvel para os nossos deslocamentos e melhor aproveitamento de nossos passeios e conhecimento de lá. Meu possante era um modelo Besouro, ano 1969, da cor grená. Demos-lhe o sugestivo apelido de Chuleta. Ah, se aquele fusca falasse! Se ele falasse diria dos recantos que visitamos e das barbeiragens que fiz.
Sempre que possível falo aqui da insegurança atual e da violência que grassa e coloco na exemplificação dentro de casa o caminho para a solução desse mal. Com todos os meus dissabores e erros, por incrível que possa parecer, dei muita atenção aos meus filhos e hoje colhemos os magníficos frutos que eles representam. Em 1980, recebia eu um dos melhores salários do Brasil e não tinha portanto necessidade de colocar meu filho para trabalhar, mas ele estava se enturmando com uma galera nada recomendável e consegui para ele um emprego de office-boy em uma das maiores revendedoras de automóveis da cidade, em Laranjeiras. Lá foi ele, não muito satisfeito, fazer serviços externos sem conhecer muito da cidade. Sua insatisfação durou até o primeiro salário. Não tenho do que me arrepender. Hoje é importante funcionário de uma multi.
Muitos foram os passeios que reealizamos naquela linda cidade, e um deles, era na bela Quinta da Boa Vista, com seus caminhos, alamedas, o zoológico – o preferido pela garotada – o museu e as muitas brincadeiras que inventávamos, como escorregar pelas declives dos jardins sobre placas de papelão, soltar pipas ou correr atrás dos aviões de isopor, que eu lançava e as crianças corriam para buscar também passou a ser nossa referência de passeio. Sempre que podíamos e havendo concertos sinfônicos, lá estávamos. Concertos sinfônicos? Sim. E as minhas crianças sempre gostaram, assim como o imenso público que ali aportava. Meus filhos não se apegaram muito às músicas ditas eruditas, mas estão, graças a Deus, muito longe das músicas de hoje (música?).
Outro passeio muito interessante que fiz com os meus quatros filhos foi ao Museu da Chácara do Céu, da Fundação Castro Maia, no belo bairro de Santa Tereza. O segurança ou orientador seguia-nos à distância, pois era muito justo que houvesse atenção a quatro crianças, que a rigor são como macaquinhos soltos em loja de louças. Os pequenos se encantaram com a obrigatoriedade de uso de pantufas, a que chamavam de chinelões, visto serem usados sobre os calçados. À medida que seguíamos pelos corredores, eu ia mostrando aos pequenos os meus parcos conhecimentos – que o vulgo costuma chamar de cultura inútil – e isso me fazia muito feliz. Falava-lhes do artista predominante do local, o pintor paulista Cândido Portinari, amigo do proprietário. Indicava-lhes as obras fazendo comentários e recebia deles toda a atenção. Dizia-lhes eu da importância de suas obras, muitas expostas no exterior, na ONU, etc. Quando falei-lhes que Portinari era da cidade de Brodósque, elas riram, pelo inusitado do nome, e queriam saber onde ficava.
- Em São Paulo – respondi-lhes – Portinari era paulista como vocês.
Ao que a espoleta caçula brada:
- Como vocês, eu sou carioca.
A nossa passagem para última sala de exposições lembrou-me o lindo filme “O Jardim Encantado”, quando o filme, todo em preto e branco se torna colorido, pois quando os pequenos personagens o adentram assim acontece, visto o jardim ser encantado. Chamei eu a atenção dos petizes para observarem que naquela sala os quadros e desenhos expostos não tinham cores, eram em preto e branco. O oposto ao filme. Curiosos, quiseram saber o por que. Expliquei-lhes então que o artista adquirira grave doença pelo contato das tintas, que lhe envenaram o fígado, e que a partir daí passou a desenhar com crayon.
- E o que é crayon? – perguntaram.
- Crayon em francês quer dizer lápis, e esse lápis usado em desenhos é especial – respondi.
À distância, o orientador de visitas olhou-me e com um sutil sorriso e aceno positivo de cabeça aprovava minha aula para os filhos.
À saída o profissional nos cumprimentou e elogiou o comportamento das crianças e meus conhecimentos e didática.
Diz o vulgo que certas coisas representam uma cultura inútil, mas eu tive uma satisfação incomensurável ao ensinar meus filhos e ainda tenho, por ter esses conhecimentos em minha mente e poder relatá-los a vocês.