meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008

01.05.08

Oi, amigos

Venho até vocês para pedir-lhes uma ajuda muito grande.

Neófito em blogs e anta assumida em cibernética, peço-lhes que, ao tomarem conhecimento de "meus escritos", façam seus comentários, críticas e, por que não, elogios, através de meu email

heitorsobrinho@itelefonica.com.br

pelo menos até eu me familiarizar um pouco mais com o sistema.

Isto me facilitará na melhoria que preciso ter.

Conto com todos vocês.

Abraço

Heitor(Tiamuru)

A fome a nos rondar



Vivemos nestes dias, não só aqui no Brasil, mas em todo mundo, em uma complexidade absoluta. A nos assustar a falta de alimentos nos países chamados subdesenvolvidos. A luta pelo alimento é encarniçada.
Há em Port au Prínce, capital do Haiti, o escombro de um sinistro presídio, Fort Dimanche, de triste memória, pois serviu de câmara de torturas dos esquadrões da morte durante os regimes diabólicos de Papa e Baby Doc, os Tontons Macoutes. Hoje, ali naquelas dependências, vivem milhares de haitianos a vasculhar o lixo a procura do que comer, e nem os cães estão encontrando alguma coisa.
Sobre o telhado desse prédio mulheres fazem biscoitos de argila amarela misturada ao sal e gordura vegetal e secadas ao sol. Para muitos haitianos é a única comida. Dito biscoito tem gosto de gordura, seca a boca e deixa um gosto de terra. Quase sempre causam diarréia, mas diminuem as dores da fome.
Uma legião desses famintos marchou sobre o palácio presidencial atirando pedras e garrafas aos gritos de “Temos fome”, quando queimaram pneus e muitos morreram.
Foi apenas uma das muitas rebeliões que estão começando a ocorrer com muita freqüência em escala mundial. E é apenas um começo do que está por vir.
O alimento está se tornando cada vez mais escasso e caro, e já é inacessível a uma grande maioria. “É uma das piores violações da dignidade humana”, nos diz Kofi Annam, ex-secretário geral do ONU.
Essa aflição causada pelo aumento dos preços e escassez dos alimentos atinge os pobres do mundo – na África, sul da Ásia e Oriente Médio. Os preços de gêneros como arroz, milho e trigo, ficaram estáveis por anos, mas dispararam mais de 180% em apenas três anos.
As pessoas miseráveis, que se encontram à beira da inanição e, portanto, sem nada a perder, estão cada vez mais propensas a reagir com fúria.
É para espantar que esse desespero se transforme em violência?
Cabe, obviamente, uma pergunta: a engenharia genética não seria a solução para os problemas alimentares do mundo? Se a resposta for positiva, porque se discute mais do que se age?
Quando da revolta dos famintos haitianos, há poucos dias, por precaução, os Estados Unidos fecharam sua embaixada. O primeiro-ministro inglês Gordon Brown escreveu para o colega do Japão e recomendou para que a comunidade internacional se empenhe para preparar “uma resposta totalmente coordenada” à fome crescente.
Embora tenham demorado a agir dessa forma, esperamos que não se tarde.
Sim, por que as revoltas promovidas pela falta de alimentos não se restringem apenas ao Haiti. Os povos africanos, esquálidos, famélicos, também marcham rumo às reclamações mais virulentas. Ao sul da Índia e povos muçulmanos vivem igualmente essa problemática e, fatalmente, se juntarão aos demais famintos globais.
Há imensas discussões sobre o uso de alimentos na fabricação de biocombustíveis, pois nos Estados Unidos ele é feito de milho e na Europa de beterraba. Isso estaria afetando, de fato, a produção de alimentos e tornando cada vez mais caro o seu preço. Querem incluir o Brasil nesse meio, mas, nosso álcool é superior em qualidade e quantidade por hectare, o que nos isenta da problemática alimentar no mundo.
Os biocombustíveis feitos a partir de grãos ou legumes realmente ocupam espaços que poderiam ser utilizados para o cultivo de alimentos, e assim diminuírem a carência e o preço dos mesmos. As exportações que, na origem, são contidas e até mesmo proibidas é que fazem faltar e encarecer os produtos.
Querer incluir nessa problemática o álcool feito no Brasil, de cana-de-açúcar, onde não falta espaço, é pura hipocrisia.