20.11.08
FELICIDADE
Vários são os alvos que nos empurram por esta vida.
Nossos objetivos são os mais díspares, pois alguns querem apenas a fortuna e as alegrias que julgam que esta possa trazer; outros querem ter corpos sarados, serem fortes e belos para, como Narciso, se admirarem ante espelhos luzidíos e serem admirados; outros almejam a glória, não importa qual, seja como astro de futebol ou artístico ou qualquer outra coisa desde que possam ser notados e comentados.
Esses objetivos, por mais frívolos, fazem a concepção de felicidade que alguem possa ter e sempre as faz correr atrás deles, pois sabem que a realização de um sonho depende de dedicação. Assim agem e se sentem bem. Mas, devemos nos ater ao fato de que ao alcançarmos esse sonho ele se torna em realidade e passamos a desejar outro sonho, que ao se realizar... e assim por diante. A felicidade, portanto, é a eterna procura.
A felicidade, segundo Dalai Lama, é o objetivo de nossas vidas. Nossas atitudes estão sempre voltadas para atingí-la, e para atingí-la temos de ter uma disciplina mental férrea e constante.
Quando falamos em disciplina mental sabemos que isso envolve múltiplos fatores, fatores esses que, dependendo da situação, nos levarão àquele objetivo primeiro, quais sejam, identificação daquilo que nos faz feliz e daquilo que nos infelicita. Ora, se sei o que me felicita, então irei cultivá-lo, assim como se identifico o que não me é agradável vou eliminá-lo. É por aí.
Somos seres individuais e, neste exato momento, milhares de pessoas estão chegando a este mundo. Algumas destinadas a viver por curto lapso de tempo, outros para atingir o centenário e vivenciar todos os sabores que a vida irá lhes proporcionar: vitória, desespero, alegria, ódio e o amor.
Algumas pessoas são infelizes por não terem encontrado seu equilíbrio emocional tornando-se ensimesmadas, retraídas e até hostis, mas são, em geral muito centradas. A infelicidade nasce das tensões que vivenciamos: tenho de vencer, tenho de conseguir, ninguém vai me atrapalhar. Tudo, portanto, que contraria esses objetivos se torna um obstáculo. E é nesse estado de opressão que a mente se torna presa fácil para a irritação, a ansiedade, a angústia e a depressão. O mundo então é visto com muita tensão, rigidez, dureza e a pessoa enxerga apenas seus objetivos e quando não consegue alcançá-los, sofre e fica infeliz. As pessoas felizes o são por manterem uma mente aberta, relaxada e maleável. Abre-se para o outro, faz sentir o que se passa e, em geral, são mais sociáveis, flexíveis, criativas e suportam com mais serenidade as frustações naturais que a vida, vez por outra oferece, e, são mais amorosas e mais propensas a perdoar.
O Espírito de Joana de Ângelis nos ensina que à medida que o indivíduo adquire consciência da grandeza de sua realidade íntima, a busca de patamares mais elevados se torna inevitável. Enquanto alguns se contentam com o essencial à satisfação de suas necessidades mais imediatas, outros aspiram à aquisição de luz interna, “o que enseja horizontes mais nobres”.
Se mantivermos dentro de nós a chama da criatividade, a capacidade de criar motivações e persistência em nossos objetivos, que apesar de todos os pesares devem ser infindas, aumentaremos nosso grau de satisfação afastando com isso a ansiedade, a tristeza, a irritabilidade e o desespero.
Buda nos deixou inúmeras lições e, a principal delas, nos diz que é o meio termo a forma ideal de vida. Ele nos ensinou que “se a corda do violino estiver muito tensa poderá se romper e se estiver por demais frouxa não haverá som”, e que, portanto, devemos viver sem radicalismos. Ainda usando esse ensinamento vamos estabelecer, para comparação, uma escala gráfica que vá de zero a dez e que o nível ideal de felicidade resida no número cinco. Na metade, portanto. É nesse nível que nossas ideações nos conduzem a um estado de normalidade e felicidade.
Vamos colocar aqui um exercício de exemplos. Uma pessoa que recebe uma promoção, ou um prêmio ou um novo filho irá, com certeza, entrar em um estado de euforia, alegria e, claro, de maior felicidade. Essa leveza o irá fazer subir naquela escala que nos propomos acompanhar. A sua felicidade irá subir nela a um nível sete ou sete e meio, mas, não demorará muito para, gradativamente, voltar ao nível considerado normal. Tornam-se infelizes? Não, apenas aceitam seus novos valores, os assimilam em suas vidas e voltam àquele nível de equilíbrio. Da mesma forma, se os acontecimentos forem tristes, como a constatação de uma doença grave, da perda de um parente ou a perda de emprego, a pessoa irá se deprimir, ficar e se sentir infeliz fazendo o seu grau de felicidade, naquela nossa escala, decline, atingindo o nível dois ou dois e meio, e, da mesma forma como foi impulsionado para cima no exemplo anterior, com o tempo retornará ao nível normal, ou o considerado, pois a perda de um ente querido, por mais dolorosa que nos seja, será assimilada, um novo emprego surgirá, talvez até melhor e a doença por pior que seja nos levará ao encontro de um equilíbrio que não imaginávamos ter.
Disse certa vez um poeta-lírico-brega que a felicidade não existe, o que existe são momentos felizes. Embora não tenha ele, em momento algum, se relacionado com este assunto, tem lá sua razão. Os acontecimentos vão deslizando entre nós trazendo sempre situações e vibrações diversas, que vamos vivendo, por vezes, sem nos apercebermos.
A felicidade, portanto, nos é determinada por um estado mental, mais que por acontecimentos externos, embora estes alterem nossos pensamentos. Se mantivermos a mente calma seremos uma pessoa mais descontraída, tornamo-nos menos egoístas e mais amorosos e, consequentemente, com condições físicas melhores.
Nossa felicidade é, portanto, como foi visto, determinada pelo nosso nível mental. As circusntâncias no entorno influenciam, mas, não determinam nossa vontade de ser felizes. Shinyashiki nos deixa bem claro em seu texto que nossa felicidade será proporcional ao nosso esforço de luta.
Citando mais uma vez o Espírito de Joana de Ângelis, ele nos ensina que “quem se detém a contemplar dificuldades não sai do lugar. Mas, se confiante, avança, superando cada desafio quando se apresenta, cedo ou mais tarde alcançará com luta e alegria a meta pela qual anela”.
Existem passos a ser seguidos para melhorarmos esse nosso fator mental. Se desenvolvermos amor ou compaixão pelo próximo, com certeza seremos muito mais felizes. Já citados lá atrás, se eliminarmos aqueles fatores que nos fazem mal e incentivarmos aqueles que nos fazem bem iremos, com certeza, nos sentir melhores e mais felizes e constatarmos que nosso grau de satisfação está em nos sentirmos bem, e satisfeitos, com o que somos e com o que temos, e então estaremos, com certeza, no caminho exato da satisfação e da felicidade.