meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2008, 12

12.11.08

O DESEJO DA ROSA

Uma rosa queria a companhia das abelhas, mas nenhuma vinha até ela. Mas a flor ainda era capaz de sonhar.

Ao sentir-se só, imaginava um jardim coberto de abelhas, que vinham lhe beijar. E conseguia resistir até o próximo dia, quando tornava a abrir suas pétalas.
“Você não está cansada?”, deve ter perguntado alguém.
“Talvez. Mas preciso continuar lutando”, responde a flor.
“Por que?”
-Porque, se eu não me abrir, eu murcho”.

Nos momentos difíceis, seja mais aberto. Muitas vezes, nossa única esperança de vitória consiste em permanecer na luta - mesmo perdendo

MARCADOR DO TEMPO

Nos dias de hoje, o relógio, que passou por grandes modificações nos últimos cinco mil anos, se tornou indispensável.
Na Antigüidade a marcação do tempo era estranha e pouco compreensiva. Primeira hora, segunda hora, nona hora, e assim por diante. Com o correr do sol pelos céus determinavam-se as horas.
O homem sempre viveu numa briga constante para controlar o tempo, ou melhor, se situar dentro do tempo. A melhor ferramenta que encontrou para tentar vencer essa luta foi o relógio.
Nossos compromissos são cronometrados e nos fazem escravos das horas e dos minutos e, mesmo que quiséssemos viver sem ele seria impossível, tal a popularização desse instrumento, visto que os encontramos nos carros, nas ruas, nos computadores, nas televisões e até nos celulares.
Já tivemos a ampulheta, o relógio de sol e tantos outros tipos. Hoje vemos os mais variados modelos, tais como, os comuns de corda, os análogos, os digitais eletrônicos e na maior variedade de jóias.
Símbolo quase supremo da vaidade eles chegam a custar verdadeiras fortunas, onde o que mais importa é a demonstração de poder material que fornecer a hora de que precisamos. Sua popularização é tal que encontramos em camelôs e lojas populares modelos que custam bagatelas, 5,6 ou 10 reais que, quando terminam as baterias vale mais a pena jogá-los fora e comprar outro.
O relacionamento do homem com o tempo teve início há cerca de cinco mil anos, quando foi criado o primeiro sistema de marcação de tempo, e o mais antigo instrumento de marcar as horas, o “relógio de sol”, inventado pelos babilônios. Tal invenção era bem simples: uma haste vertical se projetava do centro de uma superfície semicircular, criando uma sombra do sol para indicar a hora. Outro marcador muito utilizado foi o relógio de areia, a ampulheta.
O homem, entretanto, sempre buscou de forma incansável o aperfeiçoamento para a marcação das horas, e nessas buscas, surgia no Egito, por volta do ano 1 500 a. C., a Clepsidra, ou “relógio de água”, que consistia em um recepiente cheio de água com as paredes graduadas e um pequeno orifício para a água sair. A água escoava e a cada duas graduações correspondia à passagem de uma hora.
O primeiro relógio mecânico, como o conhecemos, foi fabricado por Henry de Vicky, em 1386, e era formado por duas engrenagens movidas por cordas e pesava cerca de 200 quilos e foi instalado na Catedral de Salisbury, na Inglaterra. A colocação dos relógios nas torres dos mosteiros e nas igrejas era símbolo de prosperidade para as comunidades.
Até o final do século XIX, os homens traziam seus relógios, ou marcadores de tempo, nas algibeiras ou suspensos em correntes no bolso dos coletes. Alberto Santos Dumont, o mineiro considerado o “pai da aviação” teve uma participação fundamental no desenvolvimento do relógio de pulso, pois encontrava ele muita dificuldade para olhar as horas durante suas experiências e seus vôos. Para facilitar seu trabalho, Dumont encomendou, em 1904, ao seu amigo Louis Cartier, o desenvolvimento de um relógio de pulso com formato quadrado.
Segundo consta, Santos Dumont teria tido a idéia ao receber uma medalha de Sua Altesa Imperial Dona Isabel. Como fazer para pendurar a medalha no pescoço sem atrapalhá-lo? Ele a enrolou no pulso, descobrindo assim um lugar ideal para a utilização do relógio.
O poeta valeparaibano e membro da Academia Brasileira de Letras, Cassiano Ricardo, assim se expressou sobre essa engenhoca.
O Relógio
Cassiano Ricardo
Diante de coisa tão doida
conservemo-nos serenos.

Cada minuto de vida
nunca é mais, sempre é menos.

Ser é apenas uma face
do não ser, e não do ser.

Desde o momento que nasce
já se começa a morrer.

Pelo mundo existem relógios e pontos turísticos importantes e talvez o mais conhecido seja o Big Ben, de Londres, instalado numa torre do Parlamento Britânico. No Rio de Janeiro o relógio da Central do Brasil é um marco da grandiosidade das construções que marcaram o Estado Novo (1937-1945), sob o governo de Getúlio Vargas.
Inaugurado em 1943, está localizado no alto do edifício da Estação D. Pedro II, a uma altura de 110 metros e é o maior do mundo com quatro faces. Pode ser visto a quilômetros de distância, e cada uma de suas faces tem cem metros quadrados (10x10) e ocupam cinco andares do prédio de 32 andares – do 22o ao 26o.
Por aqui, no Vale do Paraíba, temos alguns desses instrumentos que são muito conhecidos. O prédio do Relógio, em Taubaté, inaugurado em 1938 e que, até hoje, continua a marcar quatro horários, com sirene. Ele toca “pontualmente” às 8h, 12h, 14h e 18h, seguindo o antigo horário de entrada, almoço e saída dos funcionários da Companhia Taubaté Industrial.
Em Jacareí a novidade fica por conta do Bar do Brito, que possui relógios nada convencionais, com decoração inspirada na temática do jazz e possui dois relógios de parede idênticos, mas que marcam horas diferentes. Um deles marca o horário local e outro o horário de Nova Orleans – Mississipi, conhecida como a capital mundial do jazz. É um outro relógio, porém, que mais chama a atenção, pois seus ponteiros marcam as horas ao contrário. Os números são colocados no sentido anti-horário e os ponteiros também giram na mesma direção. “Os clientes enquanto não percebem a situação ficam perdidos até se acostumarem”, afirma o proprietário do estabelecimento.
Hoje temos relógios que são verdadeiras jóias e de valores inimagináveis, mas, como já foi dito acima, marcam as horas como aqueles adquiridos em camelô.