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Apenas e tão somente a Educação nos livra do redemoinho da pobreza, da indigência – moral e social – da fome e dos desconfortos a que todos nós estamos sujeitos. Nossos leitores talvez já estejam até enjoados comigo de tanto que me refiro a esse assunto. Mas não temos como fugir dessa realidade.
As exigências do cotidiano, das mais simples às mais complexas, impõem a condição do saber. Sem esse instrumento, o conhecimento, não há como se enfrentar a dura concorrência da luta pela vida.
Como a personagem do alfaiate Enedim, do conto O Tesouro de Bresa, do queluzense Malba Tahan, quanto mais adquirimos conhecimento mais crescemos, mais evoluímos.
“Com estudo e trabalho pode o Homem conquistar tesouros maiores do que os que se encontram no seio da terra”, ensinava o sábio do conto para Enedim, que se desdobrara nos estudos e adquirira sapiência e poder. Nosso herói compreendeu, enfim, que no estudo e no trabalho é que se encontra a verdadeira riqueza.
A formação educacional e profissional forja o cidadão.
O mestre Paulo Freire afirmava que se faz necessário educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”, pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Vejo-me na obrigação de falar sobre a autora do artigo da semana passada, editado nesta coluna.
Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que terminou faculdade de direito da UFRJ em julho, foi premiada pela UNESCO, onde concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
Foi a Paris e recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'.
A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.
Em comentários sobre seu trabalho, pela internet, apenas um entre dezenas de comentários a favorecia. Os demais a tacharam de infantil, pois, segundo eles seu texto é pobre de coerência, cheio de chavões marxista-leninistas e que, sem consistência, poderia ser plenamente ser sobrepujado por qualquer criança do fundamental.
Vi nisso muita incapacidade, incoerência e inveja. Clarice falou o que falou de peito aberto, colocando a cara a tapa. Teriam seus detratores a mesma coragem? Entre as muitas críticas está a que acha errado falar de nossas mazelas para o mundo. Como ela mesma diz, querem “tapar o sol com peneira”.
A minha alegria e felicidade é constatar que existe jovens, como essa menina, que pensam grande, se apresentam de peito aberto e se fazem ouvir.
Com a graça de Deus nem tudo está perdido.

criado por TIAMURU
18:25:20Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. ..
Exagero de escassez... Contraditórios? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de
responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos...
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.
Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?
(Clarice Zeitel Vianna Silva)

criado por TIAMURU
18:22:20