meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Arquivo de: Setembro 2008

25.09.08

NEURÓBICA

No dia 1º de outubro é comemorado o Dia Internacional do Idoso.
O SESI patrocina neste sábado, 26/09, o Encontro Local da Terceira Idade, com eventos durante todo o dia. Durante todo o evento serão desenvolvidas atividades esportivas, tais como: truco, voleibol adaptado na água, basquete, dama, tranca, dominó, buraco e aulas de ginástica, oficina de teatro e brincadeiras sócio-culturais; corte de cabelo, embelezamento, aferição de pressão, teste de Glicemia, exposições, artesanatos etc. A expectativa de vida aumentou nos últimos anos, e isso graças aos avanços da Medicina, da evolução dos medicamentos e dos tratamentos hoje efetuados. A preocupação com as hoje chamadas pessoas da Terceira Idade ou da Melhor Idade, faz com que nos esqueçamos de bom grado que, há cinqüenta anos, as pessoas com idades bem abaixo dos ditos cinqüenta anos já eram consideradas velhas e como tal eram tratadas. Dessa forma criavam-se neuróticos, psicóticos, deprimidos e, consequentemente, cardíacos.
Hoje temos programas que tratam de estimular o condicionamento físico do idoso, evitando destarte as degenerações típicas do avanço da idade, como artrites, artroses, desgastes ósseos e outros que tais.
Doenças como Mal de Parkinson ou de Alzheimer, males degenerativos que levam os pacientes ao desequilíbrio e à demência têm agora também seus exercícios para evitá-los. A esses exercícios deu-se o nome de Neuróbica – Ginástica para o Cérebro.
A Neurociência revela que o cérebro mantém extraordinária capacidade de crescer e de mudar o padrão de suas conexões. Essa capacidade plástica do cérebro foi descoberta em 2000. Seus autores revelam que a Neuróbica, a ‘aeróbica dos neurônios’, é uma forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.
Nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas e tem um problema perverso: limitam o cérebro e, para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios ‘cerebrais’ que fazem as pessoas se ligarem naquilo que estejam fazendo, se concentrando nisso.
O desafio que a Neuróbica oferece é fazer tudo que contrarie essas rotinas, obrigando o cérebro a se moldar ao que faz. Coisas aparentemente tolas devem ser observadas, como por exemplo:
* Se você usa o relógio no pulso esquerdo, passe a usá-lo no direito;
* Escove os dentes com a mão contrária da de costume;
* Ande pela casa de frente para trás (como treinam os chineses nos parques públicos);
* Feche os olhos ao vestir-se;
* Estimule seu paladar comendo coisas diferentes;
* Veja fotos ou leia pequenos textos de cabeça para baixo;
* Veja as horas no espelho;
* Modifique o itinerário para o trabalho;
* Converse com aquele vizinho que sequer lhe dá bom dia;
* No computador troque o lado do mouse.
Mude seu comportamento de rotina. Tente, invente, faça alguma coisa diferente, inusual em seu dia-a-dia e estimule seu cérebro.
No meu caso, aos sessenta anos, comecei a escrever e com isso me vejo cada vez mais mentalmente ativo. Com fortes restrições físicas, no momento.

20.09.08

ILUSÃO

Quando se está viajando, retornando à sua cidade, como eu que estou há mais de trinta e dois anos fora, tem-se a esperança de encontrar os mesmos lugares que deixamos, encontrar os amigos e as pessoas conhecidas, rever as situações pelas quais passamos. Fui passar o dia das Mães com a minha velha mãe e lá cheguei na quinta-feira, com intuito de ficar pelo menos quatro dias na minha terra e a tudo rever e reviver. Desde que a condução ultrapassou as divisas do município, no largo e barrento rio Casqueiro, passando pela estação rodoviária, pelo túnel Rubens Ferreira Martins, pela Santa Casa, pelo campo da Portuguesa e seguir pela principal artéria desde o centro até a avenida que beira mar, cuidei de ficar atento na expectativa de ver se via alguém conhecido. Nada feito. Ao desembarcar, próximo a casa de meus pais, fui abordado por um casal da mesma faixa etária minha que queria a informação de como deveriam fazer para pegar aquela condução da qual eu descera, pois queriam ir para São Paulo. São de Vila Velha, no Espírito Santo, que, disseram, é muito bonita, mas estavam encantados com os jardins que acabavam de conhecer, pois não haviam visto, até então, nada parecido. Com justo envaidecimento expliquei-lhes que aqueles belos, bem cuidados e extensos jardins estavam inseridos no livro dos recordes, o Guiness, como o maior jardim do mundo. O encontro com meus pais, irmãos e sobrinhos foi festivo e de muita alegria. Saí várias vezes, fui a muitos lugares, como por exemplo, à Ponta da Praia, visitei o Museu de Pesca, muito bonito; o píer de atracação dos Práticos, de onde se parte em direção à praia da Pouca Farinha, ou melhor, de Nossa Senhora dos Navegantes, que era, na época em que lá vivia, uma pequena localidade com uma igrejinha e uma ou outra casa de pescador, e que hoje abriga muitas empresas do setor pesqueiro e de navegação; à ilha Porchat, com seus modernos e belos edifícios, local de morada de pessoas de alto poder aquisitivo, em cuja volta, pelas pedras, circulei, fazendo verdadeiros malabarismos; passei pela Ponte Pênsil, onde as artes que fazíamos eram do Arco da Velha; à Praia Grande, que me deixou abismado com o progresso, pela paisagem. Meu cunhado já me falara que a Praia Grande já passara Guarujá para trás, e eu não queria acreditar. Como Tomé, tive que ver para crer. Está realmente um espetáculo. Circulei pelo centro histórico, andei de bonde turístico e de tudo me encantei. Fui ao baile ao ar livre, na praça do Sapo, onde quem mais se diverte é o pessoal da Terceirona. A tudo atento, não visualizei ninguém que eu pudesse identificar, nem quando fui à feira livre com meu pai. Não passei por ninguém conhecido, e se passei não reconheci assim como não fui reconhecido. O tempo, inexorável, passou e as pessoas que conhecia envelheceram, eu envelheci, a cidade já não é a mesma, cresceu e mudou. E mudou para melhor. A esperança de reencontrar os mesmos lugares, as mesmas pessoas, já não é mais possível. Os amigos, eu sei, alguns já não estão mais entre nós, outros, como eu, vivem fora dali e até fora do país, não havendo, portanto, condições de se reviver o passado, a não ser com aquilo que nossa memória consegue trazer de volta, mas ela também nos trai, e nos sentimos tristes. A sensação de frustração e de tristeza por me sentir um estranho em minha própria terra se desvanecia a cada vez que chegava em casa e era recebido por minha velha mãe, autoritariamente carinhosa: ”Filho, como você demorou! Onde você estava?”

18.09.08

Isto também passará

Quantas vezes nos assombramos com inusitados acontecimentos. Por vezes pequenos, outros preocupam e outros tantos apavoram.
Tropeços, às vezes, nos impulsionam para frente e até nos ajudam, mas há também aqueles que nos arrebentam os dedos.
Sustos nos fazem observar melhor nossas condições, sejam elas de trabalho ou do dia-a-dia. Se formos atentos aprenderemos, se formos desligados repetiremos os erros.
Em nossas vidas muitos são os sufocos pelos quais passamos. Ora é uma bobagem na juventude, em que colocamos outras pessoas em situações complicadas, ou nós mesmos nos complicando com as peraltices comuns na vida de cada um. Enfim, não somos isentos de problemas.
Nos chamados “anos de chumbo” muitos foram os momentos vividos em absoluto sufoco. Fazíamos reuniões para discutir os assuntos em voga, ou seja, o socialismo e/ou marxismo, as lutas de classes e outros que tais, e isso nos mais variados locais, variando sempre para despistar os “home”. Ora era em um dos clubes de regatas da Ponta da Praia, ou no Centro dos Estudantes, no Humanitária ou Círculo Operário do Embaré. Várias foram as vezes em que nos despencamos pelas janelas em absoluta carreira. Nossa angústia aumentava quando víamos que nossos perseguidores eram os meganhas da famigerada Polícia Marítima, tida então como a mais agressiva, a mais violenta. Amigos tiveram sufocos maiores e derradeiros.
Entro neste assunto para falar do imenso susto pelo qual passei.
Ora, vocês sabem que dependo de meu velho e competente computador de corda para a realização de meus trabalhos. E se ele me falta? Aí volto aos tempos das cavernas, ou seja, ou escrevo manualmente ou tenho que tirar as teias de aranha de minha velha Remington portátil. Que é velha, mas funciona. É só dar-lhe uns toques.
Manuseava eu meus textos, dia destes, quando me vi subitamente desconectado e sem o equipamento que me serve. Segundo alguns, a falta de atualização do antivírus teria sido a causa dos problemas que ora enfrento. Até aí tudo bem. Mas o que fazer para resolver o problema?
Levei meu CPU ao técnico que me informou que para alguém a notícia que tinha a dar era boa. Perguntei: Boa para mim ou para o vendedor? – Acho que para o vendedor, disse-me ele. E também até aí achei que estava tudo bem, pois na realidade a minha maior preocupação eram os muitos textos contidos na memória da máquina. Trabalho de mais de cinco anos. Será uma dura perda se tudo se perder. Mas a esperança de tudo se resolver a contento me alegrava.
Socorri-me, nas últimas semanas, de textos contidos no disquete exclusivo do jornal, mas agora eles terminaram e continuo precisando resolver meu problema para sair deste sufoco, que confesso, é para mim o mais angustiante até hoje. Pelo menos é por que é o que vivencio, pois o que já passou deixa de ter o sabor que tinha.
Fiquei na expectativa de conseguir salvar meu equipamento e, principalmente, meus textos. Procurei, entretanto, manter a calma – que como nos dizem os ensinamentos – é o teto da alma.
De repente, não mais que de repente, no final de semana chegam de Santos meus sobrinhos, os mesmos que me haviam proporcionado o computador que ora me sufoca. A visita, que sempre nos alegra e felicita, me causaram mais uma vez uma surpresa impressionante.
Como todo sábado fui ao centro da cidade para bater um papo com amigos e, assim que voltei encontro todos à minha espera e, já instalado, um equipamento absolutamente novo. Presente dos sobrinhos.
Lembrei-me de ter lido alhures um conto de Rajneesh que nos mostra que “isto também passará”. E, de fato, passou. Uma nova máquina está em meu poder e a “caixa preta“ da antiga está sendo decodificada. Tudo acabou bem, graças aos meus Anjos da Guarda.
Posso, assim, continuar com meus textos com tranqüilidade. Que Deus os abençoe.
Voltando a um personagem citado, Rajneesh, ele nos ensina:

“Isto também passará – aflição diante do perigo”

Um grande rei, que empregava muitos sábios, um dia sentiu-se muito frustrado com suas riquezas.
Um país vizinho, mais poderoso que o seu, estava se preparando para atacar. E o rei estava com medo – da derrota, do desespero, da velhice e da morte.
Então chamou seus sábios e disse: “Não sei o motivo, mas preciso encontrar um certo anel. . . o anel que me fará feliz quando eu estiver infeliz, e ao mesmo tempo se estiver feliz e olhar para ele, tornar-me-ei triste”.
Na verdade, o que o rei estava pedindo, era um poder com o qual pudesse abrir duas portas. Ou seja, estava pedindo certo domínio sobre seus estados de ânimo e não queria ser sua vítima.
Os sábios se consultaram, mas não puderam chegar a uma conclusão. Finalmente foram se encontrar com um outro, mais experiente e mais vivido e pediram o seu conselho.
O velho sábio, então, tirou um anel de seu dedo e lhes entregou, dizendo:
-“Há uma condição: dêem esse anel ao rei, mas lhe digam para só olhar sob a pedra quando estiver totalmente perdido, numa confusão total, com uma agonia completa, num desamparo absoluto. De outra forma a mensagem será perdida”.
Assim foi feito.
Um tempo depois o reino entrou em guerra e o rei, vendo-se quase derrotado, fugiu para salvar a vida.
O inimigo o perseguiu, matou seu cavalo, e ele não teve outra alternativa correr a pé. Correu, correu muito. . . até que chegou a um beco sem saída: havia apenas um abismo.
Nesse último instante lembrou-se do anel. Abriu-o, olhou debaixo da pedra, e lá estava a mensagem que dizia:
-“Isto também passará”.

Lembre-se: quando você estiver infeliz, não esqueça: isso também passará. Essa chave lhe permite tornar-se Mestre de seus estados de ânimo, em vez de vítima.







13.09.08

O TESOURO DE BRESA

                                                  O sabor de saber

Em outros tempos, havia na Babilônia, a famosa cidade dos jardins suspensos, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem trabalhador e inteligente, que tinha conquistado muita simpatia no bairro em que morava, por suas boas qualidades e dotes de coração.
Enquanto trabalhava, costurando, e remendando, Enedim sonhava em encontrar um rico tesouro e vir a ser dono de muito palácios, de muitos escravos e ser respeitado pelos nobres da corte. Ele sempre se perguntava como poderia descobrir um desses tesouros que se acham escondidos no seio da terra ou perdidos nas profundezas dos mares.
Ele sempre ouvira contar por estrangeiros, vindos de toda parte, de aventureiros que toparam com cavernas cheias de ouro, grutas profundas crivadas de brilhantes, de tesouros enterrados em caixas pesadíssimas, a transbordar de pérolas. Essas conversas atiçavam ainda mais o desejo de Enedim de descobrir um tesouro fabuloso, como esses aventureiros.
Um dia, ele assim divagava, quando parou à sua porta um mercador fenício, vendedor de objetos extravagantes, muito apreciados pelos babilônios. Por mera curiosidade Enedim começou a examiná-los e descobriu uma espécie de livro, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos.
Comprando o livro, passou a examiná-lo cuidadosamente.
Qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar na primeira página a seguinte legenda escrita em complicados caracteres.
“O Tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha a encontrá-lo”.
Enedim se dispôs a decifrar todas as páginas daquele livro, decidido a descobrir o Tesouro de Bresa, custasse o que custasse.
As primeiras páginas estavam em vários idiomas e Enedim foi obrigado a estudar os hieróglifos, a língua dos gregos, os dialetos persas, o complicado idioma dos judeus.
Ao fim de três anos, foi nomeado o intérprete do Rei, pois não havia em todo o reino quem falasse tantas línguas estrangeiras.
Sua nova profissão lhe rendia 100 dinares por dia. Morava agora numa grande casa com muitos criados e todos os nobres da corte lhe saudavam com respeito.
Mas, Enedim não desistiu de descobrir o mistério de Bresa. Continuando a ler o livro, encontrou páginas cheias de cálculos, números e figuras. Viu-se obrigado a estudar Matemática com o calculista da cidade, e em pouco tempo dominava as complicadas equações aritméticas.
Com esses novos conhecimentos Enedim calculou, desenhou e construiu uma ponte sobre o rio Eufrates, trabalho que agradou tanto ao Rei, que o presenteou com o cargo de prefeito. Assim, Enedim, de um simples e humilde alfaiate passou a ser um dos homens mais reconhecidos do reino.
Sempre empenhado em desvendar o segredo do tal livro, Enedim continuou a estudar profundamente as leis, princípíos religiosos de seu país e do povo caldeu. Com os novos conhecimentos, Enedim resolveu uma velha pendência entre os doutores. Quando o Rei soube do fato, nomeou-o Primeiro Ministro.
Agora, nesse cargo, Enedim morava num suntuoso palácio, perto do jardim real, tinha muitos escravos e era visitado pelos príncipes mais ricos e poderosos do mundo.
Graças ao seu trabalho e a sua grande sabedoria, o país progrediu rapidamente, com construções de muitos palácios e estradas ligando Babilônia às cidades vizinhas.
Enedim se tornou o homem mais famoso do seu tempo. Ganhava mais de mil moedas de ouro por dia, habitava um palácio de mármore, pedrarias e pérolas de valor incalculável.
Mas, Enedim ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido as páginas misteriosas do livro milhares de vezes.
Um dia, conversando com um velho sacerdote, referiu-se à incógnita que o atormentava. O sacerdote riu-se e lhe disse:
“O Tesouro de Bresa já está em seu poder. Graças ao livro, você adquiriu um grande saber, que por sua vez lhe proporcionou os bens invejáveis que você já possui.
BRESA significa SABER. HARBATOL significa TRABALHO. Com estudo e trabalho pode o Homem conquistar tesouros maiores do que os que se encontram no seio da terra.”
Enedim afinal compreendeu que o Gênio de Bresa esconde realmente um tesouro valiosíssimo, não no seio da terra, mas em bons livros, que podem proporcionar uma riqueza prodigiosa: estudo e trabalho.
                                                                                                           (Malba Tahan)





























11.09.08

O MAIOR DESAFIO

Cada um de nós tem desafios diferentes. A vida é feita de desafios diários.
Para quem não dispõe de movimentos nas pernas, transportar-se da cama para a cadeira de rodas, a cada manhã, é um desafio.
Para quem sofreu um acidente e está re-aprendendo a andar, o desafio está em apoiar-se nas barras, na sala de reabilitação, e tentar mover um pé, depois o outro.
Para quem perdeu a visão, o grande desafio é adaptar-se à nova realidade, aprendendo a ouvir, a tatear, a movimentar-se entre os obstáculos sem esbarrar. É aprender um novo alfabeto, é ler com os dedos, é adquirir nova independência de movimentos e ação. Para o analfabeto adulto, o maior desafio é dominar aqueles sinais que significam letras, que colocados uns ao lado dos outros formam palavras, que formam frases.
É conseguir tomar o lápis e escrever o próprio nome, em letras de forma. É conseguir ler o letreiro do ônibus, identificando aquele que deverá utilizar para chegar ao seu lar.
Cada qual, dentro de sua realidade, de sua vivência, apontará o que lhe constitui o maior desafio: dominar a técnica da pintura, da escultura, da música, da dança.
Ser um ás no esporte. Ser o primeiro da classe. Passar no vestibular. Ser aprovado no concurso que lhe garantirá um emprego. Ser aceito pela sociedade. Ser amado.
Para vencer um desafio é preciso ter disciplina, ser persistente, ser diplomático, saber perdoar-se e perdoar aos outros.
É ser otimista quando os demais estão pessimistas. Ser realista quando os demais estão com os pensamentos na lua. É saber sonhar e ir em frente.
É persistir, mesmo quando ninguém consiga nos imaginar como um prêmio Nobel de Química, um pai de família, um professor, prefeito ou programador.
Acima de tudo, o maior desafio para deficientes, negros e brancos, japoneses e americanos, brasileiros e argentinos, para todo ser humano, é fazer.
Fazer o que promete. Dar o primeiro passo, o segundo e o terceiro. Ir em frente. Com que freqüência se escutam pessoas dizendo que vão fazer regime, que vão estudar mais, que vão fazer exercício todo dia, que vão ler mais, que vão assistir menos televisão, que vão...
Falar, reclamar ou criticar são os passatempos mais populares do mundo, perdendo só, talvez, para o passatempo de culpar os outros pelo que lhe acontece.
Então, o maior desafio é fazer. E não adianta você dizer que não deu certo o que pretendia porque é cego, ou porque é negro, ou porque é amarelo, ou porque você é brasileiro. Ou porque mora numa casa amarela. Ou porque não teve tempo.
Aprenda com seus erros. Quando algo não der certo, você pode tentar de maneira diferente. Agora você já sabe que daquele jeito não dá.
Você pode treinar mais. Você pode conseguir ajuda, pode estudar mais, pode se inspirar com sábios amigos. Ou com amigos dos seus amigos.
Pode tentar novas idéias. Pode dividir seu objetivo em várias etapas e tentar uma de cada vez, em vez de tentar tudo de uma vez só.
Você pode fazer o que quiser. Só não pode é sentir pena de si mesmo. Você não pode desistir de seus sonhos.
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Problemas são desafios. Dificuldades são testes de promoção espiritual.
Insucesso é ocorrência perfeitamente natural, que acontece a toda e qualquer criatura.
Indispensável manter o bom ânimo em qualquer lugar e posição.
O pior que pode acontecer a alguém é se entregar ao desânimo, apagando a chama íntima da fé e caminhar em plena escuridão.
Assim, confia em Deus, e, com coragem, prossegue de espírito tranqüilo.
(do livro Convites da Vida, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)