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17:47:43 O sabor de saber
Em outros tempos, havia na Babilônia, a famosa cidade dos jardins suspensos, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem trabalhador e inteligente, que tinha conquistado muita simpatia no bairro em que morava, por suas boas qualidades e dotes de coração.
Enquanto trabalhava, costurando, e remendando, Enedim sonhava em encontrar um rico tesouro e vir a ser dono de muito palácios, de muitos escravos e ser respeitado pelos nobres da corte. Ele sempre se perguntava como poderia descobrir um desses tesouros que se acham escondidos no seio da terra ou perdidos nas profundezas dos mares.
Ele sempre ouvira contar por estrangeiros, vindos de toda parte, de aventureiros que toparam com cavernas cheias de ouro, grutas profundas crivadas de brilhantes, de tesouros enterrados em caixas pesadíssimas, a transbordar de pérolas. Essas conversas atiçavam ainda mais o desejo de Enedim de descobrir um tesouro fabuloso, como esses aventureiros.
Um dia, ele assim divagava, quando parou à sua porta um mercador fenício, vendedor de objetos extravagantes, muito apreciados pelos babilônios. Por mera curiosidade Enedim começou a examiná-los e descobriu uma espécie de livro, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos.
Comprando o livro, passou a examiná-lo cuidadosamente.
Qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar na primeira página a seguinte legenda escrita em complicados caracteres.
“O Tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha a encontrá-lo”.
Enedim se dispôs a decifrar todas as páginas daquele livro, decidido a descobrir o Tesouro de Bresa, custasse o que custasse.
As primeiras páginas estavam em vários idiomas e Enedim foi obrigado a estudar os hieróglifos, a língua dos gregos, os dialetos persas, o complicado idioma dos judeus.
Ao fim de três anos, foi nomeado o intérprete do Rei, pois não havia em todo o reino quem falasse tantas línguas estrangeiras.
Sua nova profissão lhe rendia 100 dinares por dia. Morava agora numa grande casa com muitos criados e todos os nobres da corte lhe saudavam com respeito.
Mas, Enedim não desistiu de descobrir o mistério de Bresa. Continuando a ler o livro, encontrou páginas cheias de cálculos, números e figuras. Viu-se obrigado a estudar Matemática com o calculista da cidade, e em pouco tempo dominava as complicadas equações aritméticas.
Com esses novos conhecimentos Enedim calculou, desenhou e construiu uma ponte sobre o rio Eufrates, trabalho que agradou tanto ao Rei, que o presenteou com o cargo de prefeito. Assim, Enedim, de um simples e humilde alfaiate passou a ser um dos homens mais reconhecidos do reino.
Sempre empenhado em desvendar o segredo do tal livro, Enedim continuou a estudar profundamente as leis, princípíos religiosos de seu país e do povo caldeu. Com os novos conhecimentos, Enedim resolveu uma velha pendência entre os doutores. Quando o Rei soube do fato, nomeou-o Primeiro Ministro.
Agora, nesse cargo, Enedim morava num suntuoso palácio, perto do jardim real, tinha muitos escravos e era visitado pelos príncipes mais ricos e poderosos do mundo.
Graças ao seu trabalho e a sua grande sabedoria, o país progrediu rapidamente, com construções de muitos palácios e estradas ligando Babilônia às cidades vizinhas.
Enedim se tornou o homem mais famoso do seu tempo. Ganhava mais de mil moedas de ouro por dia, habitava um palácio de mármore, pedrarias e pérolas de valor incalculável.
Mas, Enedim ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido as páginas misteriosas do livro milhares de vezes.
Um dia, conversando com um velho sacerdote, referiu-se à incógnita que o atormentava. O sacerdote riu-se e lhe disse:
“O Tesouro de Bresa já está em seu poder. Graças ao livro, você adquiriu um grande saber, que por sua vez lhe proporcionou os bens invejáveis que você já possui.
BRESA significa SABER. HARBATOL significa TRABALHO. Com estudo e trabalho pode o Homem conquistar tesouros maiores do que os que se encontram no seio da terra.”
Enedim afinal compreendeu que o Gênio de Bresa esconde realmente um tesouro valiosíssimo, não no seio da terra, mas em bons livros, que podem proporcionar uma riqueza prodigiosa: estudo e trabalho.
(Malba Tahan)

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