meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008, 30

30.08.08

E O PERDÃO?

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
(Mateus, VI:7)
Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados.
(Mateus, VI:14 e 15)
Se vosso irmão pecar contra ti, vai e corrige-o entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhado terás o teu irmão. Então, chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes.
(Mateus, XVIII: 15, 21 e 22)

O Mestre era a Mansuetude e o Amor Puro e isso transferia aos seus discípulos como ensinamento básico de sua Doutrina. “Perdoarás, mas sem limites; perdoarás cada ofensa, tantas vezes quantas ela te for feita; ensinarás a teus irmãos esse esquecimento de si mesmo, que nos torna invulneráveis às agressões, aos maus tratos e às injúrias; serás doce e humilde de coração, não medindo jamais a mansuetude; e farás, enfim, para os outros, o que desejas que o Pai celeste faça por ti. Não tem Ele de te perdoar sempre e acaso conta o número de vezes que o seu perdão vem apagar as tuas falhas?” (ESE).
Sempre cercado de seus discípulos e de pessoas interessadas em seus ensinamentos, Jesus andava de aldeia em aldeia, de pequenos povoados a Jerusalém pregando a Doutrina do Amor, da Compreensão, da Compaixão e do Perdão. Não apenas ensinava, mas, principalmente exemplificava. Foi traído pelos seus próprios seguidores, mas amava a todos indistintamente.
A cada um dava um nome e uma tarefa. A Simão, o pescador, deu o nome de Pedro e, por ser o mais velho, incumbiu-o de liderar o grupo quando se fosse. A Levy, o coletor de impostos e de todos o mais culto, deu o nome de Mateus e o fez a cabeça pensante, a Tomé chamou de Dídimo e assim por diante.
João, o mais novo de todos, que lhe era muito chegado, o fez confidente e aprendiz. Mas foi a Judas, o de Iscariotes, que deu a maior e mais aterradora das missões. Tinha Jesus de se libertar do invólucro humano para voltar ao Pai, exemplificando seus ensinamentos. “Libertarás o homem que habita em mim”. Como Judas fora o único dos discípulos que realmente compreendera a missão, Jesus fez dele o responsável por denunciá-lo ao Sinédrio. O discípulo articulou tudo de forma a parecer que por trinta dinheiros o havia de fato vendido e assim o fez. Enforcou-se não por arrependimento, mas pelo excessivo peso de sua obrigação.
Quando Jesus o chamou à parte e com ele articulou a necessidade daquela difícil tarefa, advertiu-o serenamente: “Serás amaldiçoado”. Judas, então, cumpriu sua espinhosa missão, e hoje sabemos que sem ele não haveria o Cristianismo.
Sempre exemplificando o que ensinava, em seu martírio imenso, Jesus a todos perdoou e rogou ao Pai para que lhes perdoasse, pois não sabiam o que faziam. Judas até hoje é alvo da intransigência, da intolerância e da ira de todos, até da igreja, e que não o perdoam. Até hoje Judas é considerado um ser “imundo”, sempre lembrado nas horas críticas de falhas e de personificação dos males de todos nós e de todos os nós.
Ao retornar do túmulo ao terceiro dia teria o Cristo ido à mansão dos mortos. Um espírito de escol como ele, cristal sem jaça, personificação da Luz, o que teria Ele ido fazer na mansão dos mortos?
Com certeza foi resgatar aquele irmão que se sacrificou para que o Mestre finalmente cumprisse sua Missão. O Amor que sempre pregou, o perdão que sempre praticou o fez ir até Judas para beijá-lo e conduzi-lo às paragens do Reino do Pai.
Mais uma vez exemplificava o que falava.