meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.
<  Agosto 2008  >
S T Q Q S S D
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008, 23

23.08.08

ROBERTO GOMES DE CARVALHO

À nossa imprensa vens te dedicando
com otimismo, apreço e devoção.
Por ela, há vários anos, vens lutando
para dar-lhe mais força e dimensão.

Nesse labor ingente pelejando,
vais mantendo a luzente aspiração,
e novas metas, presto, vais plasmando
em busca da sonhada perfeição.

Tens vencido os tropeços da jornada
mantendo a inteligência iluminada
pela amorável tocha do ideal!

Parabéns pelo que já conseguiste!...
E esquece a incompreensão maldosa e triste
dos que ignoram a força de um jornal!...
(Pedro Gussen)

Esse cara, o Roberto, era um dos meus padrinhos nesta lide de escrever e tentar agradar. Desde sempre tentei agradar, mas ele sempre encontrava algo para a sua crítica, e, diga-se de passagem, quase sempre justas.
Quando de seu convite, em conjunto com o Marcos Santiago, para escrever artigos para este jornal, mexeu com meus brios ao afirmar que escrever é gostoso e que meu medo não era justificável. Na realidade não era medo o que eu sentia. Entrar em uma casa onde trabalhavam ele, o Marcos e tantos outros colunistas tão bons quanto eles, era entrar na toca de feras de maneira ousada.
Rigorista e teimoso exigia de si mesmo a quase perfeição. Àquela época era o editorialista do jornal e primava pelo comentário sério e não transigia com aqueles aos quais não gostava.
De dois anos para cá começou a enfrentar rigorosos problemas de saúde. Lutou muito contra um câncer que o atacou na região pélvica. O mal se alastrou de maneira forte, fazendo-o sofrer de maneira acerba.
Hoje, sábado, 23/8, chegou ao fim seu sofrimento. Roberto retornou à verdadeira vida. Deixa uma lacuna a ser preenchida.


AS VOLTAS DA HISTORIA - 3

Quando Pero Álvares Cabral aqui aportou com sua esquadra encontrou uma população de mais de dois milhões de indivíduos, o dobro da população de Portugal. Os tupis, os habitantes daquelas terras baianas, dividiam-se em dezenas de grupos tribais que se subdividiam em aldeias, cada uma de 300 a 2 mil índios.
As riquezas da nova terra chamaram a atenção de outros povos que para cá se dirigiram com o intuito de invasão e roubo. É daí que começam as grandes lutas dos brasileiros, aliados aos portugueses ou aos invasores. Embora as guerras pelo domínio do território fossem entre franceses e portugueses, foram os índios, aliados de cada um dos povos, que se envolveram na batalha.
No período colonial foram muitas as revoltas e lutas do povo em defesa de seus direitos conspurcados. Guerras, como a dos Emboabas, dos Mascates e revoltas das mais diversas origens deu curso à História do povo brasileiro. Em 1720, Vila Rica (hoje Ouro Preto), era a principal cidade mineira e crescia em função do ouro e a mineração encontrava-se em plena atividade nas Minas Gerais. O ouro em pó circulava livremente como moeda, e o contrabando de ouro aumentava. Vendo seus lucros ameaçados, a Coroa portuguesa instituiu uma nova política fiscal. Proibiu a circulação do ouro, instalou postos de cobrança nas estradas que ligavam às minas e criou as Casas de Fundição. Os garimpeiros eram obrigados a levar suas pepitas para serem fundidas nessas casas e um quinto do peso da barra ficava para a Coroa como imposto – retido na fonte.
Sempre houve quem reclamasse e liderasse movimentos contra os exageros tributários. O pequeno comerciante Felipe dos Santos liderou os garimpeiros amotinados de Vila Rica exigindo o fim das atividades das Casas de Fundição. Acionadas, as tropas do Rio de Janeiro dispersaram os rebeldes. Santos foi preso, condenado à forca e esquartejado em praça pública. Na segunda metade do século XVIII, a produção de ouro em Minas Gerais entrou em declínio e a Capitania não conseguia mais pagar o imposto de 100 arrobas anuais (cerca de 1500 quilos) à Coroa. A carga tributária estava insuportável. O governo português instaurou então a “derrama”, em 1765. No dia da derrama os mineradores pagavam suas dívidas em ouro ou com quaisquer outros bens. Acompanhando o pensamento revolucionário europeu que pretendia o fim das monarquias absolutistas e das colônias, mais a independência dos Estados Unidos, fez com que a elite econômica mineira se mobilizasse, com São Paulo e Rio de Janeiro, num movimento de independência de Portugal.
Essa foi a primeira tentativa de libertação colonial que contava com o apoio de padres e mineradores e a participação dos poetas Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antonio Gonzaga e do alferes Joaquim Jose da Silva Xavier, o Tiradentes.(*)
Entre os rebeldes estavam também o minerador Joaquim Silvério dos Reis e os oficiais Britto Malheiros e Correia Pamplona. Em troca do perdão de suas dívidas, em 1789, denunciaram ao governador das Minas Gerais, Visconde de Barbacena e apontaram os envolvidos da conspiração. A derrama foi suspensa e os culpados foram presos. Os poetas Cláudio Manoel da Costa – que acabou sendo suicidado - e Tomás Antonio Gonzaga, que negaram participação no movimento, foram condenados ao exílio e apenas Tiradentes foi condenado à forca e, a 21 de abril de 1792, executado, morto, esquartejado e exposto em público.
Pela contrariedade com a derrama, com a extorsão tributária e tantas outras arbitrariedades que as autoridades executavam, o brasileiro sempre se levantou, se rebelou e sentiu as conseqüências, suportando-as com valor, entregou até mesmo a própria vida em defesa de seus ideais.
Essa história de se atribuir ao brasileiro indolência é balela. O brasileiro tem tutano e galhardia. Adormecidos, é verdade, mas tem.

NO REINO DA MEDIOCRIDADE

Não é que queiramos ser aziagos ou impertinentes, mas ainda nem começaram as campanhas na mídia radiofônicas ou televisivas e já se ouve por aí as difamações aos adversários.
Não ouvi por enquanto ofensas pessoais, mas isso é apenas uma questão de tempo. Logo, logo, será o prato do dia.
A pobreza que ronda não apenas esta, mas praticamente todas as campanhas políticas revelam o grau de despreparo, seriedade e educação dos litigantes. ,
O professor José Murilo de Carvalho nos relata que, depois de complementar seus estudos na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, soube que para exercer suas funções aqui, teria de revalidar seu diploma universitário apondo ao mesmo mais cinco assinaturas, além das existentes, para cumprir o que determinam as leis brasileiras. Foi a um cartório americano e se surpreendeu com o balcão vazio. Perguntou, então, à atendente, o porquê de tão poucas pessoas irem reconhecer firma. “Porque supomos que as pessoas sejam honestas”, foi a resposta que ouviu.
Aqui queremos supor que todo candidato seja honesto, merecedor de nossa confiança e de nosso voto. Mas, serão mesmo?
As acusações de que se servem demonstram o contrário.
Para que alguma luz possa alcançá-los tentam apagar a do outro. Expediente de pouca ou nenhuma sapiência. Ora, se não têm inteligência não servem para nos dirigir ou representar.
Se usam a maledicência demonstram mediocridade. E de medíocres já estamos saturados. São lustros de fanfarronices, falastrices e incipiências.
Despreparo, falta de seriedade e de educação são comuns nas administrações que vemos e ouvimos. E agora é a hora de se modificar tudo isso.
Aos poucos, através dos debates da Semana Social Brasileira, vamos chegando a conclusões que devemos pensar, analisar bem para podermos acertar desta vez.
Quem assistiu a eles sabe e quem não assistiu deveria assistir. Ali dá para analisarmos os candidatos. Ali dá para sabermos quem tem um programa de governo e o que pretende fazer, quem conhece a cidade e seus problemas.
Também ali se percebe quem está candidato por imposições e não tem a menor afinidade para aquilo a que se propõe.
Aos quase cento e sessenta candidatos a vereador – que não fazem parte dos debates – cabem demonstrar suas aptidões, seus conhecimentos sobre o que seja ser um vereador – a maioria quer apenas saber os vencimentos. ou será pelo dinheiro fácil?
O que não conseguimos entender é ver muitos candidatos com a chamada “ficha suja” plena de apontamentos não airosos. Alguns sem apontamento algum, mas com sujeiras públicas. Assim sendo não há juridicamente nada que o impeça, mas com nossos conhecimentos atualizados poderemos anulá-los.
Com nossas atenções voltadas para a melhoria da nossa cidade poderemos melhorar tudo à nossa volta. É termos atenção para não cairmos nesse reino de mediocridade que nos envolve.