19.08.08
AS VOLTAS DA HISTÓRIA - 1
Vez por outra volto-me para meus livros e deleito-me na releitura deles. Da última vez que assim fiz folheei um livro de História Romana. Voltei para 2 500 anos atrás, desde a fundação de Roma, e acabei ficando pasmo como as coisas se repetem. Fui lendo e comparando com a nossa história atual. Impressionante.
No século I a C., o historiador romano Salústio, descrevia a sociedade romana, dependente dos militares: “Na paz como na guerra vivia-se sob o arbítrio da elite; em suas mãos estavam os tesouros públicos, as províncias, as magistraturas, as glórias e os triunfos. O povo vivia oprimido pelo serviço militar e pela penúria; as presas de guerra eram divididas entre generais e alguns privilegiados. Durante esse tempo, os pais e os jovens filhos dos soldados, se fossem vizinhos de um mais poderoso, eram expulsos de seus sítios” (Guerra de Jugurta, 41).
Àquela época a plebe exigia mais direitos e poder para defender seus interesses e, sendo assim, criou-se o Conselho da Plebe. Os irmãos Tibério e Caio Graco, plebeus, foram tribunos da plebe. Tibério, o mais velho, em 133 a C. e Caio Graco entre 123 e 122 a C.. Como tribunos da plebe eram magistrados responsáveis pela defesa de interesses e direitos dos plebeus. Podiam vetar leis que considerassem injustas e defender as que julgassem mais importantes. Isso eles fizeram. Tentaram implantar reformas que envolviam a distribuição de terras conquistadas aos camponeses empobrecidos – Reforma Agrária - a distribuição de alimentos a preços reduzidos para os habitantes de Roma – Fome Zero – e a concessão da cidadania romana a algumas cidades aliadas – reconhecimento de médicos brasileiros formados em Habana. Todas as reformas tentadas pelos irmãos, porém, foram um tremendo fracasso, pela oposição do Senado, e que acabaram sendo assassinados.
A disputa por terras com grileiros e a extração irregular de madeiras de lei, o contencioso com os índios, na luta extrativista de diamantes, levam para o interior da Amazônia o terror e a disseminação da morte de forma gratuita e violenta. Chico Mendes, no Acre, sindicalistas e, mais recente, a missionária Dorothy Stang, ao sul do Pará, Estado que é domínio de político corrupto, seja como deputado estadual, federal, senador ou governador, que não abre mão de suas prerrogativas de mando e, tampouco com a vida alheia, desde que seus propósitos não sofram solução de continuidade.
No final do século II a C., os aristocratas romanos começaram a perceber o valor de concorrer pelas magistraturas mais importantes como uma forma de enriquecimento. Eram muitos os aristocratas, e os cargos nem tanto, o que tornava a disputa altamente acirrada. Os candidatos ao consulado buscavam investir em obras públicas, alem de organizar espetáculos teatrais e esportivos, como uma forma de ganhar a simpatia dos eleitores. Somente os candidatos mais ricos eram capazes de pagar por suas campanhas eleitorais e, assim, tinham maiores chances de serem eleitos. O poder político ficava, assim, nas mãos de poucas famílias.
O poder político realmente fica no poder de poucas famílias, formado por clãs de real comando. Há investimento em obras públicas, com proveito próprio, claro. Havendo verbas, e há, suas campanhas políticas apresentam verdadeiros showmícios, com artistas populares, sejam sertanejos, sambistas ou outros ritmos, até mesmo com verbas públicas. Felizmente isso já está diferente. A capacidade, via poder econômico, de se perpetuar na evidência pública, fazem com se tenha a perfeita imagem de elementos arrogantes, prepotentes, que se deslizam por entre os dedos da lei, com expedientes legais, tais como se desligando de um mandato legislativo e voltando em outro. Entre os cidadãos romanos “...as diferenças pessoais quanto à posse de dinheiro, de propriedades e ao exercício de prestígio eram elementos fundamentais na organização da sociedade”, faziam o funcionamento da política. Elementos que não abrem mão, em hipótese alguma, de deter consigo a autoridade a qual se impuseram usando os mais escusos recursos, tais como a humilhação e até a tentativa de denegrir a moral de pessoas que os cercam e que tentam fugir de suas influências.