meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008, 14

14.08.08

ONDE TUDO COMEÇOU – 4

Nos anos seguintes, a disputa política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram derrubados. A controvérsia político/religiosa causou violência e mortes generalizadas. Em 381 o imperador Teodósio (um trinitarista) convocou um concílio em Constantinopla. Apenas bispos trinitários foram convidados a participar. Cento e cinqüenta bispos compareceram e votaram uma alteração no Credo de Nicéia para incluir o Espírito Santo como parte da divindade. A doutrina da Trindade era agora oficial para a Igreja e também para o Estado. Com a exclusiva participação dos citados bispos, a Trindade foi imposta a todos como "mais uma verdade teológica da igreja". E os bispos, que não apoiaram essa tese, foram expulsos da Igreja e excomungados.
Por volta do século IX, o credo já estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos desde o tempo de Cristo para que a doutrina da Trindade "pegasse". A política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a Trindade a existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja. Como se pode observar, a doutrina trinitária resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.
As Igrejas Cristãs hoje em dia dizem que Constantino foi o primeiro Imperador Cristão, mas seu "cristianismo" tinha motivação apenas política. É altamente duvidoso que ele realmente aceitasse a Doutrina Cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de um sobrinho, seu cunhado, seu sogro e possivelmente uma de suas esposas. Ele manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da vida e só foi batizado em seu leito de morte.
Há que se ressaltar que, "Igreja" na época de Jesus, não era a "Igreja" que entendemos hoje, pois se lermos os Evangelhos duma ponta à outra veremos que a palavra «Igreja», no sentido que hoje lhe damos, nem sequer neles é mencionada exceto por aproximação e apenas três vezes em dois versículos no Evangelho de Mateus (Mt 16, 18 e Mt 18-v.17), pois a palavra grega original, usada por Mateus, ekklêsia, significa simplesmente «assembléia de convocados», neste caso a comunidade dos seguidores da doutrina de Jesus, ou a sua reunião num local, geralmente em casas particulares onde se liam as cartas e as mensagens dos apóstolos. Sabemo-lo pelo testemunho de outros textos do Novo Testamento, já que os Evangelhos a esse respeito são omissos. Veja-se, por exemplo, a epístola aos Romanos (16, 5) onde Paulo cita o agrupamento (ekklêsia) que se reunia na residência dum casal de tecelões, Áquila e Priscila, ou a epístola a Filémon (1, 2) onde o mesmo Paulo saúda a ekklêsia que se reunia em casa do dito Filémon ; num dos casos, como lemos na epístola de Tiago (2, 2), essa congregação cristã é designada por «sinagoga». Nada disto tem a ver, portanto, com a imponente Igreja católica enquanto instituição formal, estruturada e oficializada, sobretudo a partir do Concílio de Nicéia, presidido pelo Imperador Constantino, mais de 300 anos após a morte de Cristo.
A partir de então, 325, quando passou a ser a religião oficial do Império Romano, o Cristianismo não conseguiu manter a sua pureza original e acabou sofrendo significativos desvios na interpretação dos ensinamentos e na prática. A situação agravou-se a partir do ano 553 – Concilio de Constantinopla II -, quando a tese da pré-existência da alma, de Orígenes, foi condenada. Isso significou a exclusão do principio da reencarnação, que até então vigia.
Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e não à simples adesão e submissão incondicional aos Dogmas de uma Igreja, os quais, para uma perfeita assimilação, era necessário admitir a quintessência da teologia : "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo", criada por Tertuliano (155-220), apologista cristão.

A OSTRA E A PÉROLA


- “O caminho da verdade, como o da não-violência, é estreito mas reto. É como se manter em equilíbrio sobre o fio de uma espada. Concentrando-se, um acrobata pode andar sobre uma corda esticada. Mas a concentração requerida para avançar sobre o caminho da verdade é ainda bem maior. A menor falta de atenção pode provocar a queda. Não se conquista a verdade senão por meio de esforços constantes.”
- (Mahatma Ghandi)

Ensinam-nos os orientais – que não são cristãos - que devemos realizar em nosso íntimo uma renovação de valores, uma reavaliação de nossas vidas para podermos revificar nosso campo natural da vida. Adquirir novas amizades, sedimentar as antigas, rever relacionamentos, corrigindo-os, se necessário. Esquecer aqueles aborrecimentos que nos causaram, reconhecer os que causamos, eliminar o armazenamento de mágoas e rancores, limpando-nos interiormente.
Há um texto, de autor desconhecido, muito interessante, que tem tudo a ver com o que estou tentando lhes passar. Ei-lo:
“Você sabia que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas? Pérolas são produtos da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como uma parasita ou um grão de areia. Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar. Quando o grão de areia penetra no corpo ferido da ostra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrir o grão com camadas para proteger seu corpo indefeso. Como resultado uma linda pérola vai se formando em seu interior. Uma ostra que não foi ferida nunca vai produzir pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Você já se sentiu ferido por palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpetradas? Você já recebeu o troco da indiferença? Então, interiormente, você já produziu uma pérola. Cubra suas mágoas com sentimentos fortes e verdadeiros. Infelizmente, são poucas as pessoas que exprimem esse tipo de sentimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos e dor deixando as feridas abertas, alimentando-as com sentimentos mesquinhos e pequenos não permitindo que elas cicatrizem. Assim, na verdade, o que vemos são muitas ”ostras vazias” não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar e nem transformar a dor em um sentimento perfeito”.
Assim devemos nos sentir e comportar, superando nossas dores, esquecendo nossas mágoas e nos depurar até chegarmos ao estado límpido da mais pura água.