01.08.08
ONDE TUDO COMEÇOU - 3
Em principio se estabeleceu a Substância Divina e a semelhança do Cristo. Recusou-se a idéia de que o Cristo e Deus fossem uma só pessoa, assim como a essência comum de todos.
O Concilio, formalmente aberto a 20 de maio, foi estabelecido na estrutura central do palácio imperial, ocupou-se inicialmente das discussões preparatórias na questão ariana, em que Arius, com alguns seguidores, como Eusébio, da Nicomédia; Teógnis, de Nice e Maris, de Chalcedon, pareceu ser o principal líder.
Nesse concilio, os bispos orientais estavam em maioria. Apenas 318 bispos compareceram – 18% de todos os bispos do Império. Na primeira linha hierárquica lideravam Alexandre – de Alexandria; Eustáquio – de Antióquia e Macário – de Jerusalém. Os bispos orientais eram a base de Constantino. O Ocidente enviou apenas cinco representantes, o que tornava qualquer votação tendenciosa. Com essa conjuntura, de maioria oriental e a seu favor, Constantino aprovou com facilidade tudo aquilo que era de seu interesse.
Com a subida da Igreja ao poder, as discussões doutrinárias passaram a ser tratadas como questões de Estado. Nas controvérsias arianas colocavam-se um obstáculo grande à realização da idéia de Constantino de um império que deveria ser alcançado com a uniformidade da adoração divina.
A crença ariana é aquela que segue os ensinamentos de Árius, famoso heresiarca de Alexandria (280-336), segundo a qual era Cristo uma criatura de natureza intermediaria entre a divindade e a humanidade.
As reuniões do Concilio não se iniciaram sem a chegada do imperador. Constantino deixou bem claro qual deveria ser o rumo das negociações e confiou o controle dos procedimentos a uma comissão por ele designada, e que consistia, obviamente, de membros mais importantes – para ele – do grupo.
Constantino manipulou, pressionou e ameaçou os participantes do Concilio para garantir que a votação alcançaria aquilo que era de seu interesse, de sua crença, e não em algum consenso a que pudessem os bispos chegar.
Dois dos bispos que votaram a favor de Arius foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos. Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte.
Ainda assim a Assembléia não foi unânime. Diversos bispos do Egito foram expulsos devido a oposição ao credo. As decisões de Nicéia foram resultados impostos por uma minoria. As decisões tomadas foram mal interpretadas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Arius. Em 341, 90 bispos elaboraram outro credo – “Credo da Dedicação” – para substituir o de Nicéia e em 357, um Concilio em Smirna adotou um credo autenticamente ariano.
Portanto, as orientações de Constantino nessa etapa foram decisivas para que o Concílio promulgasse o credo de Nicéia, ou a Divindade de Cristo, em 19 de Junho de 325. E com isso, veio a conseqüente instituição da Santíssima Trindade e a mais discutida ainda, a instituição do Espírito Santo, o que redundou em interpolações e cortes de textos sagrados para se adaptar a Bíblia às decisões do conturbado Concílio e outros, como o de Constantinopla, em 38l, cujo objetivo foi confirmar as decisões daquele.
A concepção da Trindade, tão obscura, tão incompreensível, oferecia grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus. Conferia a Jesus, que ela chama seu fundador, um prestígio, uma autoridade, cujo esplendor recaia sobre a própria Igreja Católica e assegurava o seu poder, exatamente como fora planejado por Constantino. Essa estratégia revela o segredo da adoção trinitária pelo Concílio de Nicéia.
Os teólogos justificaram essa doutrina estranha da divinização de Jesus, colocando no Credo a seguinte expressão sobre Jesus Cristo : “Gerado, não criado”. Mas, se foi gerado, Cristo não existia antes de ser gerado pelo Pai. Logo, Ele não é Deus, pois Deus é eterno! Espelhando bem os novos tempos, o Credo de Nicéia não fez qualquer referência aos ensinamentos de Jesus. Faltou nele um "Creio em seus ensinamentos", talvez porque já não interessassem tanto a uma religião agora sócia do poder Imperial Romano.
Mesmo com a adoção do Credo de Nicéia os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi banido. Quando Constantino morreu (depois de ser batizado por um bispo arianista), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e condenou o grupo de Atanásio.