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Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2008, 23

23.07.08

A CORRUPÇÃO E A MORALIDADE

Professor titular de História do Brasil da UFRJ, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, o professor José Murilo de Carvalho falou ao repórter do Estado e nos diz que “o brasileiro está ficando cínico diante da impunidade que embala os corruptos”.
E não temos como ser diferentes. Numa época em que vemos proliferar de todas as partes, em todos os matizes os mais variados casos de locupletações, extorsões e benefícios particularizados, nos tornam, efetivamente, cínicos e céticos frente a um futuro que se nos apresenta baloiçante.
Em um de seus exemplos, na entrevista, o professor Murilo relata que, depois de complementar seus estudos na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, soube que para exercer suas funções aqui, teria de revalidar seu diploma universitário apondo ao mesmo mais cinco assinaturas, além das existentes, para cumprir o que determinam as leis brasileiras. Foi a um cartório americano e se surpreendeu com o balcão vazio. Perguntou, então, à atendente, o porque de tão poucas pessoas irem reconhecer firma. “Porque supomos que as pessoas sejam honestas”, foi a resposta que ouviu. Este fato o fez compor um haicai: “Até provem/o contrário/todo mundo/é salafrário”.
Em 1996 fui convidado pelo Dr. Wagner Pereira, convidado pelo prefeito eleito Dr. Fábio Guimarães para a Secretaria de Saúde, para ser seu assessor. O Dr. Wagner acabou desistindo e foi substituído pelo Dr. Geraldo Tibúrcio, que me manteve no cargo. Designou-me então para a chefia administrativa do então Pronto Socorro, da vila Paulo Romeu. Menos de dez dias depois, dirigindo o carro de minha filha pelo centro da cidade, fui afrontado por uma senhora do staff adversário, que me disse: “Já? Nem esquentou o banco e já está de carro?”. A cultura do “levar vantagens”, sempre aflorada na mentalidade do brasileiro, virou-se contra mim. Onde há essa cultura e onde a impunidade alimenta a corrupção, os bons propósitos de trabalho e de vida nos apresentam a pecha de idiota, como a que recebemos.
Frase atribuída ao padre Antonio Vieira, no século XVII, dizia que “no Brasil o verbo furtar se conjuga em todos os tempos, em todos os modos, em todas as pessoas”. No entanto, como nos diz o professor “a corrupção pode afetar a vida de uma pessoa, mas não é uma característica pessoal”.
Que não se julgue, entretanto, que corrupção sejam apenas essas que tomamos conhecimento pela imprensa, como os deputados de Rondônia, os prefeitos e ex-prefeitos, lá do nordeste, presos por corrupção e outros casos cabeludos que nos chegam. Aquela licenciosidade em furar a fila, dar um agrado a um guarda de trânsito para evitar multa, avançar um sinal, dar um “por fora” para alcançar um benefício, simular um mal estar para um atendimento imediato, muito comum, também são atos característicos de corrupção. A cultura pessoal, assim como as virtudes individuais, forma o todo em que vivemos. A moral pública decorre da virtude pessoal. Uma depende da outra.
As prisões e denúncias que assistimos formam o mais alegre dos nossos sentimentos, pois hoje, no Brasil, já se convive com a idéia de que gente influente, gente rica, gente importante pode ir para a cadeia. Só discordamos do fato de a grande maioria usufruir de prisão em cela especial se são tão ordinários.
A nos assustar só os magistrados do Supremo.
Procurar nossos interesses é um direito e uma obrigação, desde que dentro da lei, e necessário é regular essa busca com regras para que a coisa não se desvirtue e descambe. O Brasil é um dos Países com o maior número de leis e normatizações. “O mais corrupto dos Estados tem o maior número de leis.” (Tácito)
Temos solução para a corrupção e ela está nas mãos de todos nós. Ela, a solução, será alcançada quando o eleitor não voltar a votar nos mesmos elementos que enlameiam uma instituição, quando o empresário deixar de sonegar o imposto, quando o motorista desistir de subornar o guarda, quando nós, consumidores, recusarmos o produto contrabandeado, quando todos deixarem de pedir favores aos políticos.
Quando tivermos o devido entendimento de nossos valores morais, sociais e espirituais, melhoraremos nossas existências e, por indução, alcançaremos aos que nos rodeiam, formando as conexões que elevarão nosso viver.