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Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2008, 19

19.07.08

A FERVURA DO SAPO


O tempo passa e não conseguimos compreender como as coisas deixam de evoluir, ou como certas coisas evoluem sem que entendamos como nem por que. Complicado, não? Vamos tentar entender?
É impressionante a diferença do modo de vida de alguns tempos para agora. Vivíamos com tranqüilidade e segurança, com a liberdade de fazermos o que quiséssemos, sem nos preocupar com conseqüências danosas.
As coisas seguiam sempre por caminhos naturais, normais e previsíveis, e não se tinham sobressaltos nem surpresas.
Nossos percursos, hoje, têm de ser modificados porque mais além está havendo um tiroteio entre bandidos – traficantes – que disputam por um pedaço ou todo o território do outro. Nos vemos, portanto, incomodados pelas diabruras promovidas por elementos sem a menor consideração pelo que seja sociabilidade, sem o mínimo de respeito pela vida alheia, colocando-nos em sobressalto. São tantos os atos criminosos e tantos os criminosos, que os policiais por mais que se esforcem não dão conta do recado. Surpreendente é a simplicidade com que a população convive com essas guerrilhas. Essas situações incomodativas nos perturbam e ficam por isso mesmo, pois, com o passar do tempo vamos nos acomodando com isso e assimilamos em nossas vidas. É a luta do corcunda para encontrar a posição de dormir. Tanto rola pelo leito que acaba por achar a posição correta ou pelo menos a menos incomodativa.
As caçadas aos passarinhos eram deliciosas – para nós –, adentrávamos pelo mato, colocávamos alçapões ou visgo nos galhos para que ali ficassem presos e, então, recolhíamos os animaizinhos e os colocávamos nas gaiolas e eles eram tratados com muito carinho. Dávamos-lhes o que podíamos dar de melhor, pois, eram muito bem tratados. Embora isso não se constituísse em crime era feito às escondidas. Em 1961, o presidente Jânio Quadros, por lei, proibiu as rinhas que promoviam as lutas entre galos china, transformando esse ato em crime. A lei ambiental, hoje em dia, determina que esse é um crime inafiançável. Há que se observar, entretanto, que isso só ocorrerá se praticado pelos simples mortais. Se o for por alguém que possua alguma autoridade, para esfregar no nariz de quem intente prendê-lo – sabe com quem está falando? – então nada acontecerá, e para livrá-lo da prisão em flagrante modifica-se esse mesmo flagrante para “maus tratos a animais”, e ficamos conversados. Isso nos aborrece? Com certeza, mas, salientamos que ninguém se manifestou a respeito. Sem falarmos nos amigos dos mais chegados – Waldomirogate – a quem nada se fez.
Líderes políticos na Câmara vieram a público nos falar que se a todos for aplicada a tal de Lei de Responsabilidade Fiscal, todos ficarão inelegíveis. Que bom se isso de fato ocorresse, afinal ela foi feita para impor honestidade por decreto. Que não se rasgue esse diploma.
Um político do Estado do Rio de Janeiro, por sinal o presidente do legislativo, é compadre e foi sócio por longo tempo de um dos fiscais fraudadores do INSS, mas, afirmou que nunca teve conhecimento de tal fato. Lembra-nos a historinha do elemento que, ao sair de um domicílio com uma televisão nos ombros, surpreendido por policiais, que lhe perguntaram o que estava fazendo com aquele objeto, respondeu: Que televisão? Nossa! Tira esse troço de cima de mim.
Os curumins de Mato Grosso do Sul, da etnia caiová, vêm sofrendo desnutrição e, mais de quinze vieram a morrer. Os que se encontram em atendimento sofrem agora com a infecção hospitalar, pois, debilitados, estão mais suscetíveis. A Fundação Nacional de Saúde – FUNASA – a quem está afeita a coordenação de saúde dos indígenas, está entregue a elementos estranhos ao ambiente e que se preocupam mais em agradar seus padrinhos políticos do que com as comunidades indígenas. Até aí não há muito que estranhar, mas, um ministro de estado vir a público e afirmar que o número de mortes está dentro da normalidade já é tripudiar sobre a opinião pública.
As últimas atrocidades praticadas por policiais, em vários Estados, nos deixam apavorados, pois não sabemos se ao se aproximar de nós, ele vem para nos proteger, agredir, assaltar ou matar. E o que é pior: não estamos reagindo. O que vemos é a indignação de familiares.
Há uma figura de retórica chamada “O sapo de Einstein”. O gênio dizia: “Se você colocar um sapo em uma panela com água e for aumentando a temperatura lentamente, o sapo não perceberá, vai se habituando e morre cozido. Mas se você colocar o sapo em uma panela com água quente, imediatamente ele percebe o choque e pula fora”.
O povo brasileiro já não está mais pererecando como antes, e, o que é pior, nos parece que está passando pelo processo de fervura do sapo.