09.07.08
ONDE TUDO COMEÇOU - 1
O Cristianismo, que surgiu com o Cristo, isso é óbvio, desde seu princípio foi vítima de interpretações pessoais e distorcido das mais variadas maneiras.
Esse raciocínio é corroborado pelos escritos apócrifos que surgem e nos que falam de histórias desprezadas pela atual administração da Igreja. A esta sempre importou as variantes de seu interesse. Por essas variantes muito se lutou e muito sangue se derramou para impor a sua bondade e ensinamento. Com o objetivo, claro, de domínio e ganância.
Segundo escritos apócrifos, Jesus aparece mais democrático e menos sexista, mais tolerante e menos autoritário, características que combinam mais com nossos dias. Esses textos são, digamos, vestígios de cristianismos perdidos. Sim, cristianismos, no plural, pois eram diversas as mentes que os acompanhavam. Os primeiros cristãos viviam em comunidades clandestinas, se reuniam nas periferias das cidades e tinham pouco contato entre si. Algumas delas eram lideradas por pessoas que conheceram o Cristo ou pelos próprios apóstolos. Como Cristo não deixou nada escrito, coube a essas primeiras lideranças do cristianismo construir a religião.
Sócrates, que como o Cristo também nada deixou escrito, teve uma melhor repercussão e nenhuma distorção de seus ensinamentos, pois esses foram apreendidos e levados ao conhecimento de todos pela palavra de uma só pessoa, Platão. Não houve condições de distorção e eles aí estão até hoje como o sábio ensinou.
Muitas das coisas contidas nos ensinamentos do Cristo que encontramos nos Evangelhos ou Bíblias são inverossímeis e complicadas para um entendimento racional. As distorções na sua prática foram devido às heresias que então iam surgindo, provocando prolongadas polêmicas, outras, causaram verdadeiras cisões em alguns núcleos, causas de muitas dissensões que aconteceram e até hoje se propagam por aí, à rodo. As interpretações dos ensinamentos variam conforme o interesse daquele que a propaga. Depois da grande cisão provocada por Martinho Lutero, as subdivisões se multiplicaram exponencialmente.
Mas, a problemática se iniciou efetivamente muito antes.
Em 274, o então imperador romano Lucius Domicius Aureliano renunciou a seus direitos divinos causando o abandono da unidade religiosa. Constantino, porém, inverteu a política então vigente, passando de perseguidor a promotor do Cristianismo, visando através disso, a unidade religiosa de seu império.
Nesse mesmo ano, o da renuncia de Lucius, nascia Caio Flavio Aurélio Cláudio, em Naïssus, filho de Constantino I. Caio Flavio ascendeu ao trono em lugar de seu pai em 306. Com a morte de seu pai – Constancio I – Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália, atual França e na Espanha. Foi aos poucos assumindo o controle de todo o Império Romano.
A primeira parte do governo de Constantino (306-323), além de algumas grandes e gloriosas expedições contra os francos e os godos, infelizmente manchadas por inúteis crueldades, foi cheia de guerras civis. Muitas foram as lutas pelo poder de Roma e muitas foram também as que Constantino participou. Para chegar ao apogeu, Constantino tomou as mais cruéis atitudes, entre elas mandar matar o próprio sogro. Em 311, no comando de mais quarenta mil homens, Constantino ultrapassou os Alpes e foi derrotar nas Rochas Vermelhas – Saxa Rubra – próximo a Roma, a Maxencio, que posto em fuga, afogou-se no rio Tibre. Há uma lenda, segundo a qual o imperador teria tido aí a visão profética de uma cruz com as palavras: Por este sinal, vencerás – In hoc signo vinces, e que Cristo lhe mandara fazer um estandarte com essa imagem, o labarum.
Aceitável a quem quiser, apenas Eusébio a relatou. Constantino então entrou em Roma como senhor único do Ocidente, e logo surgiu como a esperança do cristianismo. Acordo entre dois Augustus, pelo casamento da irmã de Constantino com Licinio – senhor do Oriente – não foi de longa duração. Licinio foi obrigado uma vez, em 314, a ceder parte das suas províncias, e depois, alguns anos mais tarde, a colocar-se à disposição do vencedor. Constantino, a principio, parecia generoso com o cunhado, mas acabou por mandá-lo estrangular, e passou a governar só (323).