29.06.08
O nosso profeta
O médico Miguel de Notredame, nascido em Saint-Remy, em 1503, depois de errar pelo sul da França, fixou-se em Salon, perto de Aix. Dentro de sua profissão era eficiente e combateu com êxito uma epidemia e divulgou seu receituário sob o título de Fardements. Porém não levou avante a profissão para se entregar ao gosto acalentado de há muito pelas ciências ocultas. Produziu profecias em estilo obscuro, das quais publicou sete centúrias, em 1555. Outras obras se seguiram, sempre com muito exagero. Predisse a morte de Henrique II, que constou em uma de suas quadras, que o fizeram acumular honrarias e riqueza por todos os soberanos da Europa. Ficou conhecido então como o profeta de Salon. Diversas obras tentaram desvendar a linguagem cifrada de Nostradamus. A mais importante, à época, foi a de Guynaud “A concordância das profecias de Nostradamus com a historia” (1595).
Em muitas de suas Centúrias Nostradamus escreveu com tanta exatidão que nos faz acreditar que conhecia o Lula. Senão vejamos: ...."e próximo do terceiro milênio uma besta (seria o Lula????) barbuda (céus,é ele!!!) descerá triunfante sobre um condado do hemisfério Sul (Brasil???); espalhando desgraça e a miséria" (acho que se trata da reforma da previdência ou a corrupção institucionalizada ou ainda o mensalão).
"...Será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos”. (epa!!! Cadê o dedinho?)" ...Trará com ele uma horda (faz sentido...Palocci, Zé Dirceu, Dulci, Genoíno, Dilma e tantos outros) que dominará e exterminará as aves bicudas ( já tô ficando assustado...PSDB = Tucanos = ave bicuda!!!); e implantará a barbárie por muitas datas (REELEIÇÃO???) sobre um povo tolo e leviano."
(Socoooooooooorro, é nóiiiiiiis...!!!)
Brincadeiras à parte, tivemos nós também um prestigioso premonitor. O promotor de Justiça Antonio Bento de Monteiro Lobato, escritor arguto, pois, extremamente observador das coisas que o rodeava, escreveu e predisse, entre outras coisas, a existência de petróleo em terras brasileiras, coisa que o imbecil futurologista americano Herman Hesse qualificou de impossível de existir. Lobato tinha razão e hoje somos auto suficientes nessa preciosidade. Por essa disposição que tinha no que afirmava, chegou a ser preso, mas jamais desistiu, pelo contrário, insistiu.
Em seu romance “O choque das raças ou O presidente negro”, romance americano que acontece no ano 2228, ele previra o que está ocorrendo na atualidade. A história é narrada por Ayrton, funcionário da firma paulista Sá, Pato & Cia., que depois de um acidente de carro, é iniciado na revelação do futuro por Jane, filha do professor Benson, cuja invenção - o porviroscópio - lhe permite devassar o futuro. Jane, numa série de sessões domingueiras, revela ao espantado, mas entusiasta Ayrton os episódios que envolvem a eleição do 88° presidente norte-americano. Três candidatos disputam os votos: um negro, Jim Roy, a feminista Evelyn Astor e o presidente Kerlog, candidato à reeleição. A cisão da sociedade branca em partido masculino e feminino possibilita a eleição do candidato negro. Perante o fato consumado, a raça branca engendra uma típica “solução final”: a esterilização dos indivíduos de raça negra, camuflada num processo de alisamento de cabelos. Entre as soluções finais preconizadas, não a esterilização, mas a exterminação das chamadas raças inferiores, como a negra, que Jessé Owens ridicularizou. Hitler jamais poderia supor isso. Mas Lobato afirmou.
O escritor é conhecido por suas obras infantis, que habitam o imaginário de qualquer criança desta terra, mas, foi na literatura adulta que alcançou também muita notabilidade. É, sem sombras de dúvidas, o nosso Nostradamus, mas com um índice de erros muito menor.