28.06.08
O HOMEM QUE OUVE
E quem há de ouvir a nós em todo o mundo,
Seja amigo ou professor, irmão e pai,
mãe, irmã ou vizinho, filho, senhor
ou servo? Quem há de ouvir: nosso advogado,
marido, esposa, os que nos são mais caros?
As estrelas ouvem, quando em desespero
fugimos do homem, os ventos ouvem, os mares,
as montanhas? A quem pode um homem dizer:
Aqui estou! Eis minha nudez, minhas chagas,
a dor secreta, o desespero, traição, tristeza,
a língua que não me serve para expressar
meus pesares, meu terror, meu abandono.
Que me ouçam por um dia – uma hora! um momento!
para que eu não expire no terrível ermo,
no silêncio solitário! Ó Deus, há alguém para ouvir-me?
* * *
Não há ninguém para ouvir? – indagas. Há, sim,
há alguém que ouve, que sempre ouvirá.
Corre até ele, meu amigo! Está na colina, esperando
por ti.
Por ti, sozinho.
SÊNECA