meus escritos

Dar a conhecer à comunidade os textos de minha autoria, alguns publilcados em coluna semanal em jornal aqui da terra - Cruzieor/SP - ou partes de alguns de meus livros.

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008

31.05.08

Ah! Que saudade!


Conversávamos dias destes em casa e meu filho, que mora no Rio de Janeiro, dizia-me que um seu colega de trabalho tinha tido seu automóvel roubado. Como é de praxe nesses casos, ele deu imediatamente queixa à polícia, fazendo o Boletim de Ocorrência – BO. Não me lembro precisamente a hora do roubo e o da queixa, mas, digamos que tenham sido, por exemplo, entre as oito horas e nove horas da noite. Os marginais fizeram seus “ganhos” exatamente entre esses dois horários. O roubo, premeditado, não teve outra intenção senão a de ter um veículo para a prática do ilícito. Por sorte o amigo do filho registrou sua queixa, senão se veria palpos de aranha.
Há mais de vinte e cinco anos, quando ainda morava lá, meu vizinho foi assaltado em Bangu, muito longe de onde morávamos (Ramos). Roubaram-lhe o fusca, a carteira com seus documentos e também as roupas, deixando-o apenas de cuecas. Andou ele durante duas horas até a delegacia mais próxima para registrar o problema. No dia seguinte constatou-se que com o carro dele os bandidos assaltaram dois restaurantes, duas pessoas, atropelaram e mataram um casal e terminaram com o carro contra um poste. Valeu o dissabor de circular pelo bairro em trajes menores. Tomara a atitude certa, registrando a ocorrência.
Dois ou três meses antes de vir para cá, em 1984, roubaram o carro do delegado que estava estacionado no pátio da delegacia na avenida Edgar Romero, em Madureira. O desassossego no Rio de Janeiro não é de hoje. Mas, nem sempre foi assim. Em 1972 comprei um fusca relativamente novo, ano 1969, de cor grená ao qual demos o nome de Chuleta. Com ele percorremos quase todo o Rio daquela época. Da lagoa de Araruama, na região dos lagos, de altíssima salinidade, até a então afastada e maravilhosa praia de Grumary, lá íamos nós montados em nosso calhambeque. Nessa época morávamos em um pequeno prédio na Rua Roberto Silva, defronte à igreja de Nª. Sª. das Mercês, em Ramos, onde então morávamos, que não tinha garagem e nosso carro dormia na rua e nunca lhe ocorreu nada. De vez em quando colocavam um cartão de visitas de alguma oficina mecânica.
Quando de nossa chegada aqui, em 1984, tendo em mente ainda o acontecido em Madureira, observei que um cidadão estacionara seu carro em frente ao Banespa, que à época era no prédio do Hotel Itamaraty, para lá se dirigiu e deixou o carro aberto. Dando vazão à minha curiosidade, fiquei quarenta minutos atento para ver o que poderia acontecer, e, para minha surpresa, nada aconteceu. Imaginei que estava morando no paraíso. Para quem vinha de onde nós viemos era realmente essa nossa impressão.
Hoje verifico que aqueles tempos habitam num passado que nos deixam saudosos. Não vamos falar aqui em saudades, mas em deterioração dos costumes.
A deterioração dos costumes nos guia para caminhos nada honrosos e nos deixam em situações embaraçosas. Ficamos reféns dentro de nossas casas temerosos de tudo que nos circundam. Aqui, ainda não é assim, e esperemos que nunca seja.
Temos que acompanhar as progressões que a vida nos apresenta, mas, às vezes, essas ditas progressões sobrepujam as reais expectativas e não nos deixa seguí-las.








22.05.08

A Educação inicial



A banalização do crime está nos deixando assustados, pois os mais bárbaros estão acontecendo e vemos a cada momento a forma como estão sendo encarados pela sociedade.
Os acontecimentos fluem ao nosso redor e nos fazem preocupados e, até mesmo, temerosos. Violência, degradação moral, falta de cultura, de educação, de religião e outras coisas mais, nos assustam, pois a qualquer momento poderemos ser atingidos por eles.
Passar por tiroteios, achar normal a cobrança de pedágios, não se alterar com o encontro de mortos pela rua – os presuntos – agredir uma empregada doméstica ou incendiar um mendigo que dorme, tudo isso à guisa de diversão, é algo muito acima de nosso entendimento.
Isso aí descrito corresponde a delitos cometidos em estranhos por estranhos. Agora, não sei se virou moda, o que se vê são monstruosidades que ocorrem dentro de casa ou com os de casa. São bebês atirados dentro de lagoas ou rios, estupros violentos, assassinatos de intensa crueldade e até crianças atiradas de janelas altas.
A piorar, a cobertura dada a esses marginais - sim, marginais, pois mesmo sendo jovens de classe média não passam disso – por uma imprensa ávida de sensacionalismo. Será que nesta terra não temos assuntos de maior importância que esses brutais casos policiais? A situação do País está tão tranqüila que nada temos para discutir ou analisar? Será que a apropriação indébita de dinheiro público, a rodo, e à qual o senhor Presidente da República faz vista grossa e nada sabe é coisa normal, que pode ser ultrapassada por esses delitos? A situação do extremo norte, à beira de uma internacionalização, campo de treinamento de guerrilheiros e verdadeira terra sem lei não tem espaço para nossas preocupações?
Na maioria dos casos envolvendo elementos com posses, nos mostram que eles têm advogados renomados para defendê-los, agem com descontração e respondem de forma agressiva a qualquer advertência ou mesmo a simples comentários. E têm motivo para assim reagir. Defendem-se em suas atitudes com respostas de nos deixar boquiabertos. Não reconhecem seus delitos e os justificam.
A cultura mundana de que tudo posso, pois tenho o suficiente para cobrir qualquer despesa; sou melhor e mais forte, pois sou auto-suficiente e vai por aí, fazem com que esses elementos façam o que fazem.
Há a necessidade de se repensar a forma como a educação familiar vem sendo conduzida em muitos lares na atualidade. A se ressaltar a responsabilidade de pais/responsáveis na busca de estímulo de valores positivos nas crianças e jovens. A disciplina doméstica deve ser efetiva e esta só pode ocorrer se houver harmonia dentro do lar.
Ora, dentro do lar como se poderá agir para melhorar a convivência da família?
Há resposta para isso sim. As atitudes a ser tomadas passam pela exigência de comparecimento dos pais às escolas para tomarem conhecimento de como seu filho está, não só nos estudos como também na forma de agir socialmente. Impor essa obrigatoriedade sob pena de punições jurídicas. Se não há na lei esta situação, coloquemo-la. É a partir daí que nasce a disciplina, pois a escola não é apenas o local de aquisição de cultura, mas também de educação e convívio social.
Há também a desestruturação e degradação moral. Os jovens, hoje em dia, se mostram muitos mais sensíveis ao poder sedutor das drogas ilícitas que antes.
Ocupem-se-lhes os espaços de tempo ociosos. E a escola é o primeiro lugar para fazer isso.
Mas esses jovens são, na maioria, de famílias sem estrutura moral. Os pais, ou bebem ou são drogaditos ou sem emprego ou tudo junto; ou quando as mães usam de ocupações não condizentes.
A esses faltou o que se propõe agora.
Há que se dar um primeiro passo. Ou o fazemos agora ou não faremos nunca.




17.05.08

Ser feliz

SER FELIZ....


Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que a sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode evitar que ela vá a falência.
Ser Feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É agradecer a Deus cada manhã pelo milagre da vida, ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer "eu te amo".
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz. Que nas suas primaveras você seja amante da alegria. Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria. E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo. Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida. E descobrirá que... SER FELIZ não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo!
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de SER FELIZ, pois a vida é um espetáculo imperdível!!!!!!!
Mas para ser feliz é preciso aprender a dar, amar, perdoar e agrader com toda sinceridade.
(do livro Aprendizados)

Conto da tradição Sufi

Conto da tradição Sufi (árabe)


Conta-se que, numa cidade do interior, um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia: um pobre coitado de pouca inteligência que vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam à ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 réis e outra menor, de 2.000 réis. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos: "Eu sei - respondeu - não sou tão tolo assim. Ela vale cinco vezes menos. Mas, no dia que eu escolher a outra a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda. . .”
Pode-se tirar varias conclusões dessa pequena narrativa:
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros bobos da historia?
Terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é a percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim o que realmente somos.
O maior prazer de um homem inteligente é poder bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.

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10.05.08

AMOR DE MÃE

No radinho sobre a pequena prateleira, fazendo companhia para os sabões em pó e outras quinquilharias, o funk era o som preferido. As letras, tão suas conhecidas, eram acompanhadas em uma ou outra música. O lesco-lesco nas roupas alheias faz parte da renda daquela família pobre, carente. Cecília, ou Ciça como era mais conhecida, se dedicava com ardor às suas tarefas como forma de terapia para amenizar suas múltiplas preocupações. Preocupações estas que variam das necessidades básicas aos compromissos assumidos.
No momento está batalhando as roupas da casa de dona Anita, que não só paga bem como também cede quase sempre vestimentas quase novas e que fazem a alegria de todos. Quando Robson apresentou sérios problemas de saúde, dona Anita e seu Cláudio se desdobraram e atenderam seu menino nos melhores hospitais e com todos os medicamentos necessários. Todo esmero no atendimento dessas pessoas é o mínimo que ela pode fazer.
Arnaldo, o marido, há algum tempo vinha apresentando problemas de coluna, pois, sendo servente de uma fábrica do outro lado da cidade, ganhava pouco e batalhava muito. Havia de ter complementação da renda da casa e, porisso, ela lavava e passava roupa para fora; a filha Daniela é secretária e tem um salário razoável, mas, com data de casamento marcada preparar sua casa é primordial, mas, sempre que pode ajuda, e bastante. Robson, o caçula, é aplicado em seus estudos e cursa a 8a. série, à noite, e tem o sonho de se formar em Mecatrônica, mas, sempre que lhe sobra algum tempo faz biscates como burro sem rabo no centro da cidade. Entretanto o mais velho, Naldinho, sempre fora problemático. Arruaceiro, juntara-se à comunidade de marginais e, com o tempo, tornara-se também um deles.
Naldinho era perverso, malvado mesmo, pois não abria mão de nenhuma vítima. A todas ele tripudiava, maltratava, torturava. Carregava consigo, nas costas, vários assaltos, outro tanto número de assassinatos e, todos, com características de crueldade. Sua condenação fora certa e a pena alta necessária. A penitenciária em que se encontra é tida como de segurança máxima.
Ciça se desencubia de suas tarefas, cantarolando e sorrindo. Acompanhava o ritmo das músicas balançando as ancas. De repente a reportagem interrompe a programação com estas informações: “Notícias chegadas de Aparecida nos indicam que violento motim no presídio de Potim está em andamento. Os presos amotinados reclamam da superlotação da penitenciária. A situação é extremamente tensa e há várias vítimas”. Ciça soltou um grito de angústia.
-Meu menino, meu Deus, como estará?
Apressou-se para o quarto a fim de trocar de roupas e ir imediatamente até o presídio. Teria que saber ao vivo como estaria seu menino. Chorava copiosamente enquanto se vestia e procurava em seus pertences dinheiro para as passagens de ida e de volta.
Daniela e o namorado, Tonho tentavam, em vão, acalmá-la. Faziam o maior dos esforços, mas não conseguiam demovê-la.
-Calma, pede-lhe Tonho.
-Porque calma. O filho que está lá em perigo é meu e não seu.
-Mas, estou tentando ajudá-la.
-É, então me empresta dez real para a passagem que depois devolvo.
Tonho tirou da carteira uma nota de dez reais e colocou na mão da futura sogra. Ciça apanhou a nota e partiu sem se despedir.
Na condução tentou não demonstrar seu nervosismo. Não era ela a única com aquele destino. Todos falavam muito e comentavam os acontecimentos, o que muito a irritava.
A baldeação em Aparecida e o novo ônibus, este urbano, a deixavam ainda mais nervosa. Não conseguia mais aparentar tranquilidade, pois realmente não tinha.
Desceu em frente à prisão onde o movimento de pessoas era grande. Sua angústia se tornou maior. Todos queriam notícias de seus entes e falavam, todos, ao mesmo tempo. Um dos amotinados, no teto do prédio, tinha coisas nas mãos e gesticulava com violência. Ao lado de Ciça uma mulher com um binóculo, aterrorizada, baixou a guarda e murmurou:
-Que coisa horrorosa!
Ciça nem pediu. Tomou as lentes das mãos da mulher e as posicionou diante dos olhos. Focalizou aquela imagem no telhado e, também com horror, viu que na mão direita havia a cabeça de um homem. Fixou a imagem ali. Não, não era seu menino. Percorreu, então, a imagem para a direita, pelo corpo do detento encapuzado e chegou à mão esquerda, que empunhava um facão artesanal e viu que a mesma não apresentava a ponta do dedo mindinho e um pouco acima do pulso, no antebraço, a tatuagem de uma feroz pantera. Abaixou o braço, entregou automaticamente o binóculo para a mulher e murmurou:
-Meu menino está vivo, Graças a Deus!