13.04.08
Deprimente
Penso que, por vezes, para não nos sentirmos deprimidos, melhor seria se não tomássemos conhecimento do que nos está à volta.
Se ignorarmos o que ocorre na política, por exemplo, não nos indignaremos com a devassidão que reina na caverna de Ali Babá. Mas, se não ligarmos para isso ou outra coisa qualquer estaremos sendo alienados. E para isso já bastam nossos jovens.
Aliás, é sobre eles que escrevo este artigo.
Já tivemos a oportunidade de falar sobre a incapacidade de se achar uma colocação no mercado de trabalho para aqueles que tentam se habilitar para algum cargo. Os avanços tecnológicos estão a exigir cada vez mais conhecimentos, e até na construção civil já se está encontrando dificuldade de se encontrar trabalhadores qualificados para uma obra. As novas técnicas de construção estão a exigir conhecimentos básicos, pois hoje já não se utiliza tanto a força braçal e sim elevadores, torres, guindastes e procedimentos novos que exigem leitura e interpretação. Equipamentos modernos que devem ser operados por pessoas habilitadas. Empresas construtoras estão dando cursos de alfabetização para seus peões para que possam se desenvolver em seus labores.
A escolaridade se faz necessária para o enfrentamento do cotidiano em todas as instâncias profissionais. Pessoas com onze anos de estudos estão ocupando os lugares mais simples, menos qualificados. E os que não têm esse grau de estudo?
Os exames do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – Saresp/2007 – aplicados a 1,8 milhão de alunos das escolas públicas estaduais, em novembro passado, foram agora divulgados.
Mais de 70% dos alunos da rede pública estadual de ensino concluíram o 3º. ano do ensino médio sem saber operações matemáticas básicas. O mesmo estudo mostra que em língua portuguesa São Paulo melhorou em relação aos resultados da rede estadual paulista no Saeb/2005 – Sistema de Avaliação do Ensino Básico, do MEC, resultado de ações que priorizaram a leitura e a escrita. Isso, entretanto, não significa que se esteja melhor, ou que se esteja bem.
A aprovação automática, ou progressão continuada, faz com que alunos tenham cada vez menos interesse em aprender, pois sabem de antemão que não serão reprovados. Cuidam apenas para que não ultrapassem o número de faltas estabelecido.
Vemos, com uma regularidade assustadora, a falta de educação desses jovens, o quanto são agressivos e sem postura social. Vão para a escola por obrigação e pouco se lhes dá estudar ou não. A educação - aquela que deve ser aprendida em casa - é falha e a capacitação - obrigação da escola - se vê prejudicada pela falta daquela.
Não estou aqui querendo dizer que todos os alunos sejam iguais. Não, não são. Há aqueles que realmente querem se preparar para o futuro e se vêem prejudicados por aqueles que, não querendo nada, solapam-lhes esse direito.
“O pai de D. Pedro II era D. Pedro I e de D. Pedro I era o D. Pedro O”.
Não pensem que essa frase seja alguma gozação, alguma brincadeira. Não, não é. Essa é uma frase pinçada do último vestibular, quando então vemos a qualidade do pretendente a uma vaga na universidade.
O pior (nada é tão ruim que não possa piorar) é que dependendo da filiação, uma anta como essa acaba freqüentando uma faculdade, semi-analfabeto, sem estrutura alguma a não ser a situação social e/ou financeira.
“Quando dois átomos se encontram, dá a maior merda”.
Pela expressão usada se verifica, também, que o respeito é coisa que fica num horizonte muito, mas muito longínquo. E não é só por falta de respeito que se expressa dessa maneira. É por incapacidade de fazê-lo melhor.
“Uma linha reta deixa de ser reta quando pega uma curva”.
Não, não riam, por favor. Isso não é para rir. É para chorar.
É em função desses resultados que nos vemos diante da preocupação com o que possa acontecer com esses elementos em futuro mais próximo do que possamos imaginar.